TP: Vizela, 2 – Vilaverdense, 2: Justiça chegou nos penáltis

Publicado por em 20 Novembro, 2017

O Vilaverdense FC deslocou-se ao terreno do FC Vizela para disputar uma inédita quarta eliminatória da Taça de Portugal para a formação de Vila Verde. A história continua a ser escrita, desta vez com contornos dramáticos, pois aos 120 minutos, o Vilaverdense perdia por 2-1, mas um fim de jogo digno do mais elevado dramatismo permitiu que o sonho continue a comandar a vida. Venha de lá um tubarão. O Vila merece!

A noite já tinha caído no estádio e o calor que se tinha feito sentir durante a tarde, em Vizela, já tinha dado lugar a uma aragem bem fresca quando Weliton arrancou do meio-campo em direção à baliza onde Pedro Freitas, guarda-redes do Vilaverdense, o esperava. O Vila tinha acabado de marcar o quarto pontapé de penálti através de Elísio, antes dele e por esta ordem: Joel Silva, Zé Pedro e Rafa Miranda também haviam marcado. O central do Vizela tinha perfeita noção que era imprescindível fazer golo, pois o seu colega de equipa, Fortes, havia falhado o primeiro pontapé para os donos da casa e, em caso de não concretização, o brasileiro sabia que a sua equipa ficava eliminada da competição. A pressão de um jogo inteiro estava toda nos seus pés.

O número 22 do Vizela colocou a bola na marca dos 11 metros, ganhou balanço e arrancou para o esférico, a bola nem foi na direção da baliza após o remate e a partir daqui, neste preciso instante, a alegria tomou conta dos jogadores, da equipa técnica, dos diretores e dos adeptos do Vila (que linda mancha verde incansável no apoio à sua equipa mesmo nas alturas mais difíceis, pena que não seja sempre assim) que festejaram, celebraram, vibraram e viram o seu clube, de forma histórica, rumar aos oitavos de final da prova que faz do futebol, uma festa. Após eliminar a formação do Boavista na eliminatória anterior, o Vila continua empenhado em não se deixar cair nesta competição.

O sorteio da Taça ditou que estas duas equipas, que na série A do CP competem entre si e tem o mesmo objetivo, subir de divisão, medissem forças nesta eliminatória e, é justo dizê-lo, pena que uma delas, pelo muito que se jogou, tenha ficado pelo caminho, mas também ficamos com uma certeza, seguiu em frente a melhor equipa em campo.

No arranque deste jogo, impróprio para cardíacos, ficou-se com a sensação de que o Vizela começou melhor, só que o Vilaverdense, na primeira grande chance de golo, aos 13 minutos, abriu a contagem com Zé Pedro a cabecear da melhor forma um cruzamento apimentado de Pedro Lemos. Desta forma, após um bom desenvolvimento de ataque, o Vila colocava-se na frente do marcador e em vantagem na eliminatória. Como era de esperar (e de prever também) o Vizela, após este golo, começou a procurar o empate, não o fez “à maluca”, mas antes com maior dinamismo e velocidade, só ao alcance de grandes equipas e foi notório, para todos, que o Vila começou a ser encostado ao seu último reduto. O Vizela não criava grande perigo, mas ameaçava e isto deixava os comandados de António Barbosa, em sentido. E eis que numa bola que parecia controlada por Latyr, o lateral e capitão do Vizela, João Pedro, acreditou que podia ficar na posse do esférico, o senegalês do Vila facilitou e o lateral conseguiu ganhar a frente e cruzou a redondinha que não foi cortada por Rafael Vieira e Correia, com classe, depois de receber com o pé esquerdo, rodou e à meia volta chutou com o seu pé direito para o empate. Ficava, com alguma justiça, restabelecida a igualdade. Daqui até ao intervalo, apenas existiram algumas entradas mais duras, que o árbitro, Pedro Campos, decidiu resolver pela via do diálogo e percebeu-se também que estas equipas se respeitam muito.

Na segunda parte ficou-se com a sensação que era o Vizela que queria comandar outra vez as operações no arranque, mas os segundos 45 minutos foram inteiramente do Vila, que até ao minuto 87, não permitiu que o Vizela assustasse Pedro Freitas, por seu turno, Rafa, guarda-redes da equipa da casa, o melhor jogador em campo, foi um porto seguro para os seus companheiros e fez um par de intervenções que mantiveram a sua baliza com apenas um golo sofrido.

Na etapa complementar a formação do Vila, do meio para a frente, jogou como habitualmente o faz, ou seja, de forma fluída, pelo chão em apoio e com muita rapidez de execução, por esta altura, André Soares e Zé Pedro eram o expoente máximo da equipa visitante, com Rafa Miranda a ser uma boa muleta. A segunda parte foi de domínio intenso dos forasteiros, só que o fim começava a aproximar-se e o espectro do prolongamento começava a pairar no ar. Até que se entrou nos últimos dez minutos de jogo.

O Vila nesta fase do jogo era dono e senhor das operações e aos 86 minutos, Elísio, que havia substituído André Soares, teve na sua cabeça a oportunidade para se vestir de herói, só que Rafa, guardião vizelense, vestiu a capa de salvador e fez a defesa da tarde. Este lance teve  despertou o Vizela que de uma assentada teve duas boas ocasiões. Na primeira, Rafael Vieira tirou o pão da boca a Fortes, que tinha rendido Correia aos 76 minutos, um minuto volvido, novamente Fortes, no coração da área, cabeceou com força mas muito ao lado da baliza de Pedro Freitas. Podia-se até dizer, que nestes minutos finais, o Vizela tinha feito mais do que em toda a segunda parte.

Depois disto, Pedro Campos, árbitro da partida, deu por terminado o jogo. O prolongamento era o destino.

Logo no começo do prolongamento, depois de uma boa iniciativa de Ibraima, que ofereceu de bandeja o golo a Rafa Miranda, o avançado do Vila permitiu, com um remate fraco e sem colocação, que outro Rafa, o de Vizela, voltasse a brilhar. Estava dado o mote e continuava a ser do Vilaverdense o sinal mais deste jogo só que no futebol existe um lugar-comum: quem não marca, sofre. E este lugar-comum costuma acontecer e por vezes de forma cruel, já o relógio estava nos 105 minutos quando Fortes ganhou uma bola na esquerda do seu ataque, cruzou para a área e a bola, depois de um ressalto, sobrou para Aziz que a rematou e, por caprichos do futebol, esta desviou nas costas de Henrique e traiu Pedro Freitas. Que bofetada acabava de levar o Vilaverdense. Desta forma impiedosa estava dada a cambalhota no marcador. De forma injusta, o Vizela assumia o comando do marcador. Neste momento, o intervalo do prolongamento chegava e o Vila ficava com 15 minutos para inverter a sua situação.

Sabendo disto mesmo e com espírito de missão, a formação de Vila Verde, sem perder a sua forma (só equipas de enorme classe, qualidade e equilíbrio emocional o conseguem fazer), começou a empurrar o Vizela para a sua zona mais recuada e os donos da casa, sempre que podiam, tiravam a bola da sua zona de perigo sem contemplações e aproveitavam cada minuto para respirar. Já diz o ditado: enquanto o pau vai e vem, folgam as costas, mas há outro que também diz, quem procura sempre alcança. O Vila continuava a procurar, não desistia e Rafa Miranda, mais uma vez, teve nos seus pés o golo que na altura suporia o empate, mas o outro Rafa, guarda-redes do Vizela, voltaria a brilhar na baliza. Nesta luta de Rafas, até ao momento, o do Vizela, estava em vantagem.

O relógio não dava tréguas ao Vila, que se queixou (com razão), já no prolongamento, de duas ações faltosas dentro da área contrária, mas Pedro Campos, árbitro deste jogo, não teve esse entendimento e mandou, tanto numa como noutra ocasião, o jogo seguir.

Na bancada afeta aos adeptos do Vila começavam a esmorecer as forças, o árbitro mandou levantar a placa com 3 minutos de compensação, eram os últimos deste jogo e começou a achar-se que o destino da formação de Vila Verde estava traçado. Só que o destino é escrito por cada um e o do Vila ainda não estava sequer assinado. André Salvador, numa jogada ao seu estilo, ganhou uma falta mesmo em frente ao banco do Vizela (que se levantou em protesto), o mesmo Salvador(entrou muito bem no jogo) encarregou-se de bater a falta e com fé colocou a bola na área, no meio da confusão (só não estavam naquele aglomerado de jogadores, o guarda-redes do Vila, Pedro Freitas e André Salvador, que bateu o livre), Pedro Lemos teve cabeça para, aos 120+1’, empatar o jogo, levar a loucura para o relvado e para a bancada e adiar a decisão desta eliminatória para os pontapés de penálti. Era o mínimo depois do grande jogo deste Vila.

Há quem diga que os pontapés da marca dos 11 metros são sorte, há quem diga que não, tal como Carlos Cunha, treinador do Vizela, e isso ficou comprovado pela forma como Joel Silva, Zé Pedro, Rafa Miranda (desta vez não deixou o outro Rafa brilhar) e Elísio bateram os seus. Sem hipóteses para o guarda-redes contrário. Qualidade e frieza, em doses industriais, para bater os penaltis com maestria. Já pelo Vizela: Fortes, não acertou na baliza, Cann e Evrard não facilitaram e Weliton tremeu das pernas. Mérito do Vila, que foi (muito) competente na altura da decisão.

O Vila sofreu muito e fez sofrer, diz-se que assim tem mais sabor, mas podia (e devia) pelo que jogou, ter evitado este fim de jogo dramático, mas assim, ninguém se pode queixar de falta emoção. Livra!

4ª Eliminatória Taça de Portugal

Local: Estádio FC Vizela

Árbitro: Pedro Campos (AF Porto)

FC Vizela:

Rafa, João Pedro (cap.), Miguel Oliveira, Weliton e Gabi; Evrard, Joni e André Pinto (João Oliveira, 60’); Cann, Paredes (Aziz, 70’) e Correia (Fortes, 76’).

Treinador: Carlos Cunha.

Vilaverdense FC:

Pedro Freitas, Pedro Lemos, Nené (cap.), Rafael Vieira e Henrique Gomes; Ibraima Só, Latyr Fall (André Salvador, 70) e Ahmed Isaiah (Joel Silva, 84’); André Soares (Elísio, 80’), Rafa Miranda e Zé Pedro.

Treinador: António Barbosa.

Disciplina:

Amarelos:

FC Vizela: João Pedro, 75’; Aziz, 75’; Fortes, 101’; Rafa, 109’ e Evrard, 111’;

Vilaverdense FC: André Soares, 55’; Latyr Fall, 63’; Zé Pedro, 93’ e Henrique Gomes, 113’;

Vermelhos:

Nada a registar.

Golos: (0-1) Zé Pedro, 13’; (1-1) Correia, 25′; (2-1) Aziz, 105′; (2-2) Pedro Lemos, 120+1′.

Prémio Melhor em Campo VFC / Bola P’ra Frente: Ibraima Só, André Soares e Pedro Lemos;

© Foto: DR

SALA DE IMPRENSA:

António Barbosa (Vilaverdense FC)

Carlos Cunha (FC Vizela)

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