LE: Zorya, 1 – Braga, 1: Empate dá vantagem

Publicado por em 10 Agosto, 2018

Desta vez, o Braga não perdeu em solo ucraniano. A eliminatória está no intervalo e os arsenalistas estão em vantagem, mercê do golo apontado fora de portas. Porquanto se observou na partida de ontem, o Zorya está perfeitamente ao alcance dos pupilos de Abel Ferreira.

 

O Sporting Clube de Braga estreou-se em jogos oficiais, esta quinta-feira, na temporada 2018/19. À semelhança do que sucedera na época anterior, o tiro de partida aconteceu num país estrangeiro, em jogo a contar para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa, diante de um adversário com a campanha já em curso.
O FC Zorya, 4.º classificado na última edição da liga ucraniana, surgia no alinhamento do sorteio como adversário a evitar, equipa descrita por quem a conhece com os predicados de agressiva e letal no contra-ataque
Com três jornadas disputadas na liga ucraniana, a última das quais no passado fim-de-semana, o técnico do Zorya fez cinco alterações, em modo de gestão, comparativamente ao jogo anterior. Por sua vez, Abel Ferreira apresentou um onze decalcado do último apronto diante dos ingleses do Newcastle. A única alteração, porventura forçada, foi a troca de Paulinho (lesionado) por João Novais. O ex-Rio Ave alinhou no meio-campo ao lado de Claudemir, que está de pedra e cal na estrutura de Abel, avançando Fransérgio no terreno para apoiar o homem mais adiantado, que ontem foi Wilson Eduardo. Nas alas mantiveram-se os habituais Esgaio (na direita) e Horta (na esquerda). Nos setores mais recuados, tudo igual à época passada, exceção feita ao lado esquerdo da defesa, onde Sequeira, até ver, conquistou o lugar que fora de Jefferson.
Os primeiros minutos de jogo revelaram um conjunto do Zorya ansioso e intranquilo, perante um Braga sereno e seguro de si. A maior experiência europeia do conjunto bracarense, quiçá, justifica este início de jogo.
Logo nos instantes iniciais, o guarda-redes brasileiro Luiz Felipe, chamado à titularidade neste jogo pelo técnico Iurii Vernydub, quase permitia um golo madrugador ao Braga, ao tentar aliviar uma bola na pequena área, que embateu em Wilson Eduardo e só por milagre não foi parar ao fundo das redes. O jogo de pés foi uma lacuna bem evidente deste jovem guarda-redes brasileiro ao longo de todo o jogo.
Apesar de ter menos minutos de competição em relação ao adversário, o Braga entrou em jogo com dinâmica e a pressionar alto no meio-campo do Zorya, causando muitas dificuldades aos ucranianos.
Com o passar do tempo, o Braga desacelerou e permitiu ao Zorya ter mais tempo de posse de bola e instalar-se no meio reduto bracarense. As iniciativas atacantes ocorriam, quase sempre, pelo lado esquerdo, explorando a ineficácia da transição defensiva de Marcelo Goiano. Pois, o capitão bracarense forma uma linha de três defesas juntamente com os centrais, quando o Braga ataca, retomando a sua posição original no corredor direito quando a equipa defende, sendo acompanhado por Esgaio na cobertura do corredor. Ora, na primeira parte a ala direita do Braga revelou grandes dificuldades, que foram bem exploradas por Khomchenovskiy e Mykhaylichenko.
À passagem do 19.º minuto, num lance iniciado, como não poderia deixar de ser, pelo flanco esquerdo do ataque ucraniano, a bola foi cruzada para a área e, após alguns ressaltos, a bola sobrou para Karavaev , que cara-a-cara com Matheus, rematou por cima da barra.
Este foi o primeiro lance de verdadeiro perigo da partida e teve o condão de recolocar a equipa bracarense em sentido, que embora continuasse sem conseguir explanar o jogo em posse de bola, voltou a ser mais agressivo e coeso no processo defensivo, não permitindo mais veleidades aos ucranianos até ao intervalo. Inclusivamente, foi o Braga quem esteve perto de marcar, aos 35 minutos, depois de um lançamento longo que encontrou Ricardo Horta desmarcado. O camisa 21 arsenalista ficou isolado diante do guarda-redes adversário, mas no momento da finalização, o brasileiro Luiz Felipe foi rápido a sair e dos postes e fechou o ângulo ao avançado do Braga.
Até ao intervalo, registo apenas para um lance de bola parada, pois, na sequência de um pontapé-de-canto, a bola sobrou para o segundo poste onde apareceu Claudemir em excelente posição, mas o reforço brasileiro do Braga não conseguiu empurrar para o golo.
O nulo registado ao final da primeira parte ajustava-se ao desempenho evidenciado pelas duas equipas, as oportunidades de golo rarearam, o equilíbrio foi a nota dominante.

A segunda parte trouxe um Zorya a procurar povoar zonas mais adiantadas do terreno, na tentativa de chegar ao golo. Neste momento foi possível constatar a dificuldade da equipa ucraniana a jogar em ataque posicional, porquanto já se disse que está mais vocacionada para o contra-ataque. Ao tentar jogar mais adiantado, o Zorya abriu espaço entre as linhas, aproveitado de forma inteligente pelo Braga, sobretudo por Wilson Eduardo e Ricardo Horta, que colocaram a cabeça em água aos defesas contrários logo nos primeiros minutos da segunda parte.
O Braga construiu três soberanas ocasiões de golo nos primeiros onze minutos do segundo tempo. Aos 48 minutos, beneficiando de uma transição e em superioridade numérica, faltou clarividência a Sequeira para assistir Fransérgio que estava em posição soberana para finalizar. Aos 52 minutos, cruzamento da direita e Wilson Eduardo foi ao segundo poste cabecear para o coração da área, onde apareceu Ricardo Horta na zona do ponta-de-lança. Este último, tentou um pontapé acrobático, mas não acertou na bola.
Aos 56, novamente os mesmos protagonistas envolvidos, Wilson Eduardo na área, a bola sobrou para Ricardo Horta que rematou com estrondo à barra.
Nesta fase do jogo só dava Braga, o Zorya era inócuo no ataque e revelava grandes dificuldades para anular a boa dinâmica ofensiva do Braga, que jogava sem um elemento fixo no centro do ataque.
Até que aos 68 minutos o Braga chegou ao golo. Cruzamento da direita de Esgaio, Wilson apareceu no centro da área, conseguiu estorvar a marcação do central ucraniano e desviou de forma subtil a bola, encontrando Ricardo Horta liberto de marcação e este fuzilou as redes do Zorya. A obtenção do golo fora de casa, que nas provas da UEFA pode assumir um fator de decisão, foi um prémio justo para os primeiros vinte minutos de segunda parte de grande qualidade produzidos pelos bracarenses.
Porém, a alegria durou pouco, porque o Zorya chegaria ao empate aos 71 minutos, por intermédio de Karavaev , que beneficiou de um mau alívio de Sequeira e de uma má cobertura do flanco esquerdo. Não obstante a falha individual de Sequeira no alívio e a falha coletiva na marcação, ficou a sensação que houve algum relaxamento, e até deslumbramento, dos bracarenses após a obtenção do golo.
Se por um lado o tento do empate serviu de tónico para o Zorya, que até aí estava a realizar uma segunda parte sofrível, por outro, colocou novamente os Gverreiros do Minho em sentido. Até final, o Braga adoptou uma postura mais conservadora em jogo, tentando congelar o ímpeto adversário na procura do segundo golo e conseguiu-o. Fruto da experiência em jogos europeus, o Braga soube jogar com o relógio e com o resultado, pois, o empate com golos coloca a formação bracarense em vantagem na eliminatória.
Abel Ferreira foi adiando as substiutuições, até que aos 77 minutos lançou Dyego Sousa para o lugar de Wilson Eduardo. O avançado brasileiro não acrescentou praticamente nada, para além do refrescar da zona central do ataque. Já perto do final, Abel lançou também Ryller e Fábio Martins, numa óbvia tentativa de quebrar o ritmo do jogo, pois, o Braga nesta fase tem menos andamento competitivo que o seu adversário e, logicamente, poderia pagar a fatura em termos físicos e emocionais nesta fase crucial da partida.
O jogo terminou com um empate a 1-1, excelente resultado para o Braga que vai receber o adversário em sua casa, na próxima quinta-feira, dia 16 de agosto às 20:30 horas, em vantagem na eliminatória. Pelo que foi possível analisar deste jogo, transparece a ideia que o Braga tem mais argumentos que este Zorya. Se o Braga se mantiver sólido e concentrado, vai conseguir seguir em frente nesta prova.
À partida para a Ucrânia, o presidente António Salvador apontou como objetivo chegar à fase de grupos da Liga Europa, pelo prestígio e pelo retorno financeiro decorrente da participação na segunda principal prova europeia de clubes. Se conseguir ultrapassar o Zorya, o Braga deverá encontrar os alemães do Leipzig, que ontem venceram por 3-1 os romenos do Craiova.

 

FICHA DE JOGO

Local: Slavutych Arena

Árbitro: Tobias Welz (Alemanha)

 

FC Zorya

Luiz Felipe; Tymchyk, Svatok, Vernydub, e Mykhaylichenko; Kharatin, Silas (Gordiyenko, 66′) e Lednev (Kochergin, 71′); Karavaev (cap.), Khomchenovskiy e Rafael Ratão (Kabayev, 73′).

Treinador: Iurii Vernydub

 

SC Braga

Matheus, Marcelo Goiano, Raúl Silva, Bruno Viana e Sequeira; Claudemir, João Novais (Ricardo Ryller, 89′), Ricardo Horta  (Fábio Martins, 89’) e Ricardo Esgaio; Fransérgio e Wilson Eduardo (Dyego Souza, 77’).

Treinador: Abel Ferreira

 

Disciplina

Cartões Amarelos:

FC Zorya:  Lednev (27′) e Kharatin (80).

SC Braga:  Wilson Eduardo (25′) e João Novais (43’).

 

Golos: (0-1) Ricardo Horta, 68’; (1-1) Karavaev, 71′ .

Melhor em campo: Ricardo Horta e Wilson Eduardo

 

© Fotos: Facebook Sporting Clube de Braga

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