TP: Rio Ave FC, 1 – SC Braga, 0: Empurrados para fora

Publicado por em 19 Novembro, 2017

Durante a semana muitos foram aqueles que apelidaram de “clássico” estes embates entre Rio Ave e SC Braga para a Taça de Portugal, pela frequência com que têm acontecido estes jogos decisivos, mas também pelas paixões e polémicas que os têm alimentado. Por isso, exigia-se uma arbitragem que estivesse ao nível das expectativas geradas e também da qualidade que atualmente ambas as equipas demonstram. Infelizmente, a arbitragem de Tiago Martins pautou-se por vários erros grosseiros, quer ao nível técnico, quer disciplinar. Esses erros grosseiros foram todos em prejuízo do SC Braga.

O SC Braga entrou forte no jogo, tentando pressionar o Rio Ave no início da construção de jogo dos vilacondenses, que não raras vezes conta com a participação do guarda-redes. Os bracarenses souberam também explorar a velocidade dos extremos, Esgaio e Horta, que em diversas ocasiões surgiram com perigo pelos corredores. Numa dessas investidas, Esgaio quase consegue intercetar um mau atraso de Marcelo a Cássio.
Nos primeiros minutos, ambas as equipas procuravam ter posse de bola e, por isso, o jogo estava dividido entre os dois meios-campos.

O primeiro caso do jogo: aos 12 minutos, Esgaio rapidíssimo correspondeu a um passe de rutura, isolou-se e consegui ultrapassar Cássio, mas foi depois derrubado pelo guarda-redes do Rio Ave. Segundo as regras, o guardião da equipa da casa teria de ser expulso, mas viu apenas o cartão amarelo.

Por volta do minuto 20, o Rio Ave esteve mais perigoso, com João Novais em evidência, aos 21 minutos obrigou Matheus a defesa de recurso. Respondeu o Braga com Dyego Sousa a isolar Fransérgio. O médio bateu Nélson Monte em velocidade e rematou de pronto. Valeu o guarda-redes do Rio Ave a defender com os pés e a impedir o golo bracarense.
A partir desta fase, as jogadas de perigo dividiam-se por ambas as áreas, mas foi o Rio Ave quem chegou ao golo aos 36 minutos. Num lance de transição pelo flanco direito e com a defesa do Braga algo descompensada, Tarantini cruzou rasteiro e Guedes apareceu muito rápido na zona de finalização, não dando hipóteses de defesa a Matheus.
O Braga não acusou o golo sofrido e investiu sobre o adversário, na tentativa de restabelecer a igualdade antes do intervalo. Aos 39 minutos, Dyego Sousa com um desvio subtil de calcanhar chegou a introduzir a bola na baliza, mas o golo foi anulado por posição irregular do avançado brasileiro.

O segundo caso do jogo: em cima do minuto 45, Esgaio arrancou pela esquerda e cruzou para o desvio de calcanhar de Horta. Com uma intervenção de recurso, Cássio sacudiu a bola, mas não conseguiu evitar que esta transpusesse totalmente, ainda que no limite, a linha de golo. O auxiliar que acompanhava o ataque do Braga teria uma visão privilegiada do lance, mas erradamente não assinalou o golo.

O terceiro caso do jogo: durante os descontos da primeira parte, Guedes agrediu Raúl Silva com uma cotovelada. Conduta antidesportiva do autor do golo rioavista, que deveria ter sido punida com vermelho direto, mas o árbitro ficou-se pelo amarelo.

Chegou o intervalo e as duas equipas com sinal mais, mas a equipa de arbitragem com sinal menos.
Esperava-se uma entrada forte do Braga na segunda parte, à semelhança do que sucedera na primeira. Porém, a equipa de Abel Ferreira, dificultada pela organização e qualidade do Rio Ave, não conseguiu atingir a mesma consistência de jogo revelada no primeiro tempo, nem a mesma clareza nas ideias aplicadas no seu futebol.
Tal como é habitual, à passagem da hora de jogo, Abel Ferreira lançou os primeiros trunfos, com uma dupla substituição. De referir que neste jogo o técnico arsenalista deu continuidade ao 4-2-3-1 apresentado em Alvalade. Quando se vislumbrou que Hassan e Fábio Martins iriam ser lançados a jogo, previa-se que Abel alterasse a estratégia para 4-4-2, mas o treinador surpreendeu ao fazer trocas posicionais. Assim, Hassan entrou para o lugar de Dyego Sousa (um dos melhores em campo do Braga) e Ricardo Horta saiu para a entrada de Fábio Martins.
Passado pouco tempo, o Rio Ave dispôs de duas grandes ocasiões para dilatar a vantagem, valeu um inspirado Matheus a evitar males maiores. O Braga respondeu por intermédio de Hassan (que alinhou várias épocas no Rio Ave). O egípcio apareceu em excelente posição, mas falhou de forma clamorosa, atirando por cima da barra.
Numa altura em que o Braga dava mostras de querer pegar de novo nas rédeas do jogo, Miguel Cardoso respondeu do banco, lançando Nuno Santos e Francisco Geraldes, numa clara tentativa de tentar resguardar o meio-campo e conservar a posse de bola. O jogo começou a entrar numa fase mais incaracterística, com os jogadores do Rio Ave a tentarem tirar o máximo partido das paragens e quebras de ritmo de jogo.
Abel Ferreira esgotou as substituições aos 78 minutos, entrando Paulinho para o lugar de Marcelo Goiano, recuando Esgaio para lateral direito.

O quarto caso do jogo: faltavam apenas três minutos para o final do tempo regulamentar, Paulinho apareceu isolado na cara de Cássio, tenta desviar um passe rasgado e é tocado pelo pé do guarda-redes do Rio Ave. A bola acaba por sair pela linha de fundo, o árbitro dá ordem para reposição de pontapé de baliza e não assinala grande penalidade.

Até final, registo para a expulsão de Guedes, por acumulação, de amarelos, por demora na saída de campo após a substituição.
O jogo terminou pouco tempo depois, terminando o sonho bracarense de repetir as presenças no Jamor de 2015 e 2016. No final do encontro, a equipa não abandonou o relvado sem saudar os milhares de adeptos braguistas que “invadiram” Vila do Conde nesta noite fria de novembro.
Em suma, o Braga acaba por ser penalizado pelos erros da arbitragem, pela segunda parte mal conseguida e pela falta de eficácia na finalização das oportunidades que criou.

 

Ficha de Jogo:

Local: Estádio dos Arcos (Vila do Conde)

Árbitro: Tiago Martins (AF Lisboa)

Rio Ave FC:

Cássio, Lionn, Marcelo, Nélson Monte e Bruno Telles; Pelé, Tarantini (cap.) e João Novais (F. Geraldes, 64′); Rúben Ribeiro, Barreto (Nuno Santos, 75’) e Guedes.

Treinador: Miguel Cardoso.

SC Braga:

Matheus; Marcelo Goiano (cap.) (Paulinho, 78’), Ricardo Ferreira, Raúl Silva e Jefferson; Vukcevic, Danilo, Ricardo Esgaio e Ricardo Horta (Fábio Martins, 59’); Fransérgio e Dyego Souza (Hassan, 59’).

Treinador: Abel Ferreira;

Disciplina:
Cartões Amarelos:
Rio Ave FC: Cássio (10’); Pelé (42′); Guedes (45′).
SC Braga: Ricardo Esgaio (64’); Raúl Silva (90’).

Cartões Vermelhos:
Rio Ave FC: Guedes (90′).

Golos: (1-0) Guedes, 36’.
Prémio Melhor em Campo SCB / Bola P’ra Frente: Dyego Sousa, Fransérgio e Matheus.

© Fotos: www.scbraga.pt

Categorizado como

Current track
Title
Artist