Pré-Época: SC Braga, 4 – Newcastle, 0: Bom teste

Publicado por em 2 Agosto, 2018

Abel Ferreira, treinador do SC Braga, no final não estava totalmente satisfeito.

Abel Ferreira, treinador do SC Braga, no final não estava totalmente satisfeito.

O SC Braga fechou a pré-temporada com um resultado folgado, quatro golos sem resposta, contra aos ingleses do Newcastle. Os Gverreiros do Minho mostraram que existem processos bem assimilados e que Abel Ferreira mantém na base do seu provável onze inicial os alicerces da época passada.

É comum dizer-se que os resultados dos jogos de pré-temporada não importam, se calhar não é bem assim, sempre é melhor ganhar do que perder e o SC Braga nos dez jogos que realizou neste defeso conta com sete vitórias, dois empates (curiosamente os dois contra equipas da primeira liga espanhola) e uma derrota, contudo, o treinador do SC Braga, surgiu ontem na sala de imprensa após o jogo, sisudo e agastado com algumas falhas que viu nos seus jogadores e que não quer ver repetidas. Diz Abel Ferreira que o adepto comum vê apenas o resultado, ele, enquanto treinador, vê mais além e olha em primeira mão para o processo e só depois para o resultado. Estava satisfeito, mas não estava contente. Ele lá saberá.

Neste último embate antes dos jogos a doer, o Braga alinhou com uma equipa toda ela, à exceção de Claudemir, com jogadores que transitam da temporada passada. Podemos até dizer que qualquer semelhança com o passado, não é mera coincidência. Estes jogadores tem as ideias do treinador bem assimiladas e o técnico, neste teste antes da deslocação ao terreno dos ucranianos do Zorya, para o jogo a contar para a primeira mão da terceira pré-eliminatória da UEFA Europa League, ensaiou a equipa a pensar nesse confronto e não se deu mal.

O Braga entrou em jogo a comandar com posse e com velocidade, os ingleses, que estão longe do fulgor de outros tempos, bem arrumados no seu meio-campo, tentavam encurtar os espaços, mas a qualidade individual e coletiva desta formação braguista, ia destapando o pano e colocava a nu as limitações do conjunto orientado pelo muito titulado, Rafa Benitez.

Com Paulinho e Wilson na frente, cabia ao jogador de Barcelos arranjar espaços entre linhas e ao número sete braguista a tarefa de dar profundidade; nas alas, Ricardo Horta procurava mais lugares interiores abrindo o corredor esquerdo a Sequeira e na direita, Ricardo Esgaio, que está novamente em boa forma, dava vertigem ao seu flanco bem apoiado por Goiano; já no meio, Fransérgio mais adiantado e Claudemir, mais fixo na posição seis, garantiam a estabilidade que o Braga necessitava para atacar, mas há efetivamente que rever alguns aspetos, pois Claudemir, que chegou neste defeso a Braga, além de demonstrar alguma lentidão nos processos, perdeu algumas bolas que não estavam no guião e mostrou muitas vezes incapacidade para lançar o ataque.

Tudo corria bem ao SC Braga até que Paulinho, ao minuto 20, se lesionou e teve que sair (falta saber ainda a gravidade da lesão). Nesta altura todos no estádio pensaram que seria Dyego Souza a ocupar o lugar na frente, mas Abel decidiu-se por Xadas e não mexeu na estrutura que estava pensada (Zorya à vista), esta substituição não alterou as dinâmicas, mas modificou o conteúdo. Xadas tem mais qualidade no toque de bola, mas não encontra, no miolo, tantos espaços como Paulinho, mas mesmo assim, o Braga, por mais do que uma vez, podia (e devia) ter feito golo (Wilson teve um remate ao poste e Bruno Viana, quase em cima da linha de golo após cabeceamento de Raul Silva, não conseguiu marcar) e o empate ao intervalo, penalizava o Braga.

Na segunda parte, Abel não mexeu no seu onze e o SC Braga continuou, tal como na primeira metade, mais forte e mais lúcido, importa também dizer que neste segundo tempo o Newcastle baixou de qualidade de tal forma que o Braga comandou como quis o encontro e os golos, todos eles de grande qualidade, notava-se que eram uma questão de tempo.

O primeiro aos 52′, um excelente remate de Ricardo Horta à entrada da grande área, após ter recuperado a bola quase no meio campo, o 21 do Braga correu meio terreno e desferiu golpe fatal; o segundo apontado aos 77′, é uma obra de arte, pressionado na sua zona defensiva, com muita qualidade a bola veio da esquerda para direita e Marcelo Goiano solicitou, com um passe em profundidade, a corrida de Esgaio, este não se fez rogado e conduziu a bola até à linha de fundo para depois entregar de bandeja a João Novais (que havia rendido Xadas!?) que não se encolheu; o terceiro aconteceu por intermédio de Fransérgio aos 85′, que cabeceou no coração da área um excelente cruzamento de Sequeira; o quarto tento, uma obra de arte ao cair do pano, minuto 90, teve pinceladas de mestria de Fábio Martins, um cruzamento teleguiado de Sequeira e uma finalização à matador de Dyego Souza.

Pareceu tudo tão fácil nos golos, que ficamos com sensação de que esta facilidade dá muito trabalho.

O Braga fechou assim a pré-temporada com uma vitória que dá alento e que abre boas perspetivas para o que aí vem. Quanto ao Newcastle, que no sábado havia empatado a zero no Dragão, pouco ou nada se viu.

Como jogou o SC Braga:

Onze inicial: Matheus, Marcelo Goiano, Bruno Viana, Raul Silva, Sequeira, Claudemir, Fransérgio, Ricardo Esgaio, Ricardo Horta, Wilson e Paulinho;

Jogaram ainda: Pablo, Lucas, Diogo Figueiras, Vukcevic, João Novais, Luther Singh, Xadas, Eduardo, Dyego Sousa e Fábio Martins.

© Fotos: Facebook SC Braga

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