Ludogorets 1, Braga 1 – Filme com duas partes distintas

Publicado por em 3 Novembro, 2017

A primeira parte bracarense foi sofrível, valeu um inspirado Matheus para conservar um lisonjeiro nulo ao intervalo. Depois do reatamento só deu Braga, ainda que o Ludogorets se tenha adiantado no marcador contra a corrente do jogo. Mas tal como acontecera contra os turcos do Basaksehir, o melhor estava reservado para o fim, na cabeça de Fransérgio

O Braga viajou até Razgrad, numa Bulgária profunda, mais parecida com o antigo bloco de leste do que com a atual União Europeia, onde mora o atual hexa-campeão do país. A etimologia da cidade do nordeste búlgaro é curiosa: Razgrad significa “cidade obscura”, obscuridade essa que ofuscou o futebol do Braga na primeira parte.
O partida começou a jogar-se dos bancos. Dimitar Dimitrov, a jogar em casa e confiante depois da vitória na Pedreira, abdicou do quinteto defensivo e regressou ao seu habitual 4-2-3-1, mantendo Lukoki como falso ponta-da-lança, alternando com Misidjan que foi titular nesta partida, em detrimento do central Forster, que havia alinhado em Braga. Se o objetivo era confundir as marcações da defesa bracarense, esse desiderato foi conseguido.
Por seu turno, Abel Ferreira que por força do castigo da UEFA viu o jogo numa TV do hotel (o adjunto Vítor Castanheira orientou a equipa no banco), surpreendeu ao escalonar Xadas de início no lado esquerdo, já que habitualmente atua um jogador destro por aquele corredor, como são os casos de Fábio Martins ou João Carlos Teixeira. O jovem internacional sub-21 não só sentiu enormes dificuldades a atuar por aquele corredor, porque o facto de ser esquerdino lhe dificulta os movimentos interiores, mas também não foi o apoio defensivo de que Jefferson tanto necessitava. Rapidamente o Ludogorets se apercebeu dessa lacuna no flanco esquerdo do Braga e, na primeira parte, praticamente canalizou todo o jogo ofensivo por esse corredor, destacando-se o brasileiro Cicinho, um lateral de grande qualidade e grande pendor ofensivo.

As oportunidades de golo na primeira parte foram todas do Ludogorets. Logo nos instantes iniciais, por duas vezes os avançados da equipa búlgara apareceram na cara de Matheus. Por volta do minuto 20, Jefferson quase “assistia” o avançado do Ludogorets, ao fazer um mau atraso de cabeça, que só não resultou em golo graças a uma intervenção de recurso de Matheus. E já perto do intervalo, a defesa do Braga não conseguiu aliviar uma bola sacudida na sequência de um canto, esta sobrou para Misidjan, que driblou Vukcevic e rematou forte, mas Matheus opôs-se bem. Houve ainda um golo anulado a Lukoki, por este ter recebido a bola em posição irregular.
Com efeito, o nulo que se verificou ao intervalo foi um verdadeiro brinde para a equipa do Braga, que fez uma primeira parte muito sofrível. Esteve mal a defender, lento na troca de bola, pouco agressivo nos duelos e por isso não foi capaz de incomodar, por uma única vez, o guarda-redes argentino Broun. Por outro lado, a falta de eficácia do Ludogorets nesta primeira parte (a contrastar com o jogo de Braga), aliada a uma noite inspirada de Matheus, foram decisivos para o empate a zero com que se saiu para as cabines.

O descanso fez bem à equipa bracarense. Embora tendo regressado com o mesmo onze, foi um Braga transfigurado aquele que reentrou na Ludogorets Arena, nessa noite fria da Bulgária, já que por aquelas terras o Verão há muito abalou.
Individualmente, foi Xadas quem se destacou, pois, logo na primeira jogada do segundo tempo fez uma arrancada pela meia-esquerda e só foi travado pelo adversário na grande área, recorrendo a uma falta, que o árbitro russo considerou ter início fora, tendo assinalado livre direto. Chamado à cobrança, Danilo rematou forte, mas a bola saiu algo desviada do poste esquerdo da baliza do Ludogorets. Na jogada seguinte, novamente Xadas em evidência, fez um cruzamento-remate que Broun teve dificuldade em defender. O Braga conseguira retificar todas as lacunas que evidenciara na primeira parte. No entanto, por volta dos 60 minutos, Ricardo Horta entrou para o lugar de Xadas, que instantes antes vira o cartão amarelo.
Apesar de o Braga ter estado melhor durante toda a segunda parte, foram os búlgaros que marcaram primeiro, de bola parada, tal como sucedera na Pedreira. Na sequência de um canto da direita, a bola foi cabeceada ao primeiro poste, Matheus ainda conseguiu defender a primeira investida, mas a bola sobrou para Marcelinho. O capitão da equipa do Ludogorets, livre de marcação, só teve de empurrar para o golo, estavam decorridos 68 minutos de jogo.
Mas o tento de Marcelinho não abalou os bracarenses, nem mesmo a mudança de estratégia assumida na substituição operada instantes antes, com a saída de Dyego Sousa para a entrada de Fransérgio, impediram a boa resposta ao golo sofrido. Aliás, Fransérgio haveria de ser decisivo na partida.
Estando os minutos a passar sem que o Braga conseguisse chegar ao golo do empate, era tempo de arriscar. Por isso, Hassan entrou para o lugar de Danilo, fazendo a equipa regressar ao tradicional 4-4-2.
Ao minuto 81, quando o Braga apertava o cerco aos búlgaros, Ricardo Horta rematou à entrada da área, a bola ressaltou e embateu no braço de um jogador do Ludogorets dentro da grande área. Pediu-se grande penalidade, mas o árbitro e auxiliares nada assinalaram. Estava dado o aviso!
Na jogada seguinte, Paulinho cruzou largo da esquerda para o coração da área, onde apareceu Fransérgio a cabecear para o golo do empate, colocando justiça no marcador.
Até final, foi o Braga a equipa que mais tentou chegar à vitória, mas já não foi a tempo, acabando por ser penalizado pelos primeiros 45 minutos de “avanço” que deu ao adversário.

Ainda assim, este não deixa de ser um bom resultado, já que as contas do grupo se mantiveram tal e qual como estavam, porque em Istambul registou-se o mesmo resultado entre Basaksehir e Hoffenheim. O Ludogorets continua na liderança do grupo, com 8 pontos, seguido de Braga com 7 pontos. O Hoffenheim é 3.º, com 4 pontos e o lanterna vermelha é o Basaksehir, com apenas 2.
Na próxima jornada, o Braga recebe o Hoffenheim e, em caso de triunfo, garante desde logo o apuramento.

 

Ficha de Jogo:

Local: Ludogorets Arena (Razgrad).

Árbitro: Vladislav Bezborodov (Rússia).

Ludogorets:

Jorge Broun; Cicinho, Plastun, Moti e Natanael; Goralski, Anicet Abel e Marcelinho (cap.) (Dyakov, 73’); Wanderson (Terziev, 84’), Misidjan (Campanharo, 88’) e Lukoki.

Treinador: Dimitar Dimitrov;

SC Braga:

Matheus; Goiano (cap.), Ricardo Ferreira, Raúl Silva e Jefferson; Danilo (Hassan, 78’), Vukcevic; Xadas (Ricardo Horta, 58’) e Ricardo Esgaio; Dyego Sousa (Fransérgio, 66’) e Paulinho.

Treinador: Vítor Castanheira;

 

Disciplina:
Cartões Amarelos:
Ludogorets: Cicinho (77’).;
SC Braga: Marcelo Goiano (32’), Xadas (49’), Ricardo Ferreira (81’), Fransérgio (82’).

Cartões Vermelhos:
Nada a assinalar.

Golos: (1-0) Marcelinho, 68’; (1-1) Fransérgio (83’).
Prémio Melhor em Campo SCB / Bola P’ra Frente: Matheus

© Fotos: Página Oficial SC Braga

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