LN: Sporting CP, 2 – SC Braga, 2 – Empate com sabor amargo

Publicado por em 6 Novembro, 2017

Em Alvalade o SC Braga apresentou-se personalizado, aguerrido e determinado em vencer, o sistema, esse que tudo muda e altera a seu belo prazer, deitou por terra os intentos da equipa minhota que saiu do reduto leonino com menos dois pontos do que devia e com a sensação de que ganhar teria sido o resultado mais justo.

Sabendo de antemão que a partida se jogava em casa de um candidato ao título (que no preciso instante em que a bola começou a rolar já sabia que os seu rivais mais directos tinham vencido) o SC Braga, que durante a tarde tinha visto o Marítimo tomar de assalto o quarto lugar, foi a jogo com um onze que trazia novidades nas peças do xadrez numa matriz bem identificada na sua forma de ser. A ausência de Jefferson (emprestado pelo Sporting) com Sequeira de fora por lesão, foi colmatada com um velho conhecido do lugar, Marcelo Goiano, que regressou a uma posição que foi sua durante muito tempo; na frente, a grande surpresa foi a inclusão de Fransérgio como muleta de Paulinho, sendo que o brasileiro tinha também a missão de parar o centro de rotação do jogo leonino, ou seja, Battaglia, que na ausência de William (lesionado), tinha como missão ligar o jogo do Sporting. Bela estocada de Abel Ferreira a Jorge Jesus.

A primeira impressão com que se ficou foi de um Braga altamente personalizado, a jogar cara a cara com o Sporting e, como disse Abel Ferreira no final do jogo, de peito aberto. Na primeira meia hora, os minhotos foram imaculados, o Sporting exerceu mais domínio territorial (consentido pelo Braga), mas perigo, nem vê-lo, e sempre que podia, a formação da capital do Minho, tentava alvejar a baliza de Rui Patrício, na tentativa de repetir a façanha da época passada.

Sendo certo que a bola esteve sempre longe da zona que faz tremer o coração, eram notórias, por via da teia montada por Abel, as dificuldades que os jogadores comandados pelo mestre da táctica tinham para sair da pressão que o Braga tinha implementado no jogo, pois além de Fransérgio, Vukcevic e Danilo (que grande jogo fez o brasileiro), eram duas incomodas “carraças” que sempre que podiam, teimavam em não deixar os leões sair para zonas de perigo.

Os primeiros 30 minutos passaram sem que tivessem havido, numa baliza e noutra, razões de lamento, até que surgiu Matheus Magalhães no jogo e a dizer, alto e bom som à sua equipa, que estava ali para o que desse e viesse. Em cima da meia hora, na sequência de um canto, Coates subiu e cabeceou como mandam os livros, de cima para baixo, mais em baixo, ágil e arguto, Matheus foi grande e sacudiu com categoria, a bola que tomava o caminho da sua baliza, ficava dado, desta forma, o primeiro sinal de perigo, outro viria pouco depois, Carlos Xistra (já irei falar dele), transformou uma pisadela de Bruno César sobre Danilo, num livre a favor dos leões, na conversão, Bruno Fernandes atirou a contar, mas Matheus, voltou a brilhar. Até ao intervalo, maior acosso leonino, sem perigo porque o Braga estava bem e recomendava-se.

No reatamento, já com Podence em campo, Acuña saíra pouco antes o intervalo com lesão muscular, o Sporting veio das cabines com maior rotação, maior mobilidade e maior pressão sobre o SC Braga, mas foi logo após o recomeço que Carlos Xistra começou a abrir o livro e, ao minuto 47, anulou, de forma errada, um golo a Fransérgio, que poderia ter dado um rumo diferente ao jogo. Enfim…

Depois desta decisão, no mínimo controversa, percebeu-se também que além de ter que levar com o árbitro, os minhotos, teriam de aguentar, na etapa complementar, com a vontade mais expressa de ganhar o jogo do Sporting. Com a tal mobilidade que o pequenino Podence trouxe ao jogo, começaram também a aparecer Gelson Martins e Bruno Fernandes, que emprestam grande categoria na construção ofensiva da sua equipa e Matheus, guardião do templo minhoto, começou a sentir a bola mais perto da sua área. No banco, Abel bem tentava, com gestos e indicações, que a sua equipa não estivesse tão exposta, mas a pressão do Sporting era mais incómoda e ao minuto 66, o holandês Bas Dost, depois de um cruzamento da direita de Bruno Fernandes, que estava solto e à vontade, fez o gosto ao pé e bateu Matheus, que bem se estirou mas não podia fazer nada. Estava feito o primeiro golo da partida. Saía na frente o conjunto da casa.

Nos minutos seguintes a este tento, percebeu-se que o Braga sentiu o toque, mas a equipa não se desmoronou e começou a tentar pegar no jogo, fê-lo de forma paulatina, sem loucuras e com muito carácter, até que se chegou ao minuto 80, e aqui, já começava a cheira a golo minhoto. A partir deste instante, o Sporting estava fechado na sua zona mais recuada, o SC Braga estava de cerco montado à baliza de Rui Patrício e quando Jorge Jesus se preparava para reforçar o miolo, entretanto Bas Dost, com queixas musculares (mais um) já tinha sido substituído por Doumbia e Abel Ferreira já tinha feito as suas alterações todas, chegou um dos momentos de jogo, Coates, na área de rigor, abalroou Danilo e Carlos Xistra não teve outro remédio senão marcar penálti. Chamado à conversão, Dyego Souza, que havia entrado minutos antes, com uma frieza extraordinária, igualou a contenda. Estava feito, na altura, um mais do que merecido empate para o Braga. Após este golo, o treinador do Sporting lançou Alan Ruiz em campo, mas foi o Braga, que não largava a área de Patrício, que se colocou em vantagem. Na raça, a formação minhota ganhou dois ressaltos de bola e Danilo, cheio de fé, empalmou a bola com o pé esquerdo e esta, depois de sofrer um pequeno desvio, só parou dentro da baliza do titular da selecção nacional, estava-se no minuto 89 e o Braga tinha dado, em quatro minutos, a cambalhota no marcador.

Estava na frente o conjunto de Abel Ferreira que viu, no último minuto dos cinco de descontos dados por Carlos Xistra, o Sporting, através de Bruno Fernandes, empatar de penálti. Não está em causa, neste lance como no do penalti a favor do Braga, a marcação das faltas, existiram ambas, o que está em causa, neste lance, é que no momento antes de Ricardo Horta derrubar Alan Ruiz, Doumbia ter cometido falta sobre Ricardo Ferreira e o árbitro, mesmo em cima do lance, nada ter assinalado e assim, desta triste forma, a equipa minhota, deixou ficar dois pontos em Alvalade.

No fim da partida, na flash-interview, Abel Ferreira era um homem resignado, e coube a António Salvador, e bem, em pleno auditório do estádio Alvalade XXI, vir a terreiro criticar a arbitragem, mais uma, de Carlos Xistra. Este árbitro de Castelo Branco, profissional da arte, apitou o Benfica-Braga, da primeira jornada e todos sabemos o que se passou; apitou o Braga-Porto e agora, mais uma vez, apita o Braga num jogo contra um candidato. É triste acabar esta crónica a falar do árbitro, porque o jogo, e principalmente o SC Braga, não mereciam isto, mas Carlos Xistra, pela sua (falta de) qualidade não nos deixa outro remédio.

Arbitragem sem nível, sem categoria e a condicionar, desde cedo, a formação do Braga, que merecia outro respeito do senhor do apito e quando assim é, o chefe dos árbitros, Sr. Luciano Gonçalves da APAF, até pode vir rasgar as vestes e, em tom ameaçador, dizer que os árbitros vão fazer greve em protesto pela forma como são tratados, mas com arbitragens como esta, ninguém leva os árbitros a sério. É impossível. Num excelente jogo, Carlos Xistra, foi um zero à esquerda. O pior de todos. E ficamos por aqui.

Ficha de Jogo:

Local: Estádio Alvalade XXI

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco).

Sporting CP:

Rui Patrício (cap.), Ristovski, Sebastián Coates, André Pinto e Jonathan Silva; R. Battaglia, Bruno César (Alan Ruiz, 87’) e Bruno Fernandes; Marcos Acuña (Daniel Podence, 44’), Gelson Martins e Bas Dost (Doumbia, 79’).

Treinador: Jorge Jesus;

SC Braga:

Matheus; Ricardo Esgaio, Ricardo Ferreira, Raúl Silva e Marcelo Goiano (cap.) (Fábio Martins, 74’); Vukcevic, Danilo, Bruno Xadas (João Carlos Teixeira, 66’) e Ricardo Horta; Fransérgio e Paulinho (Dyego Souza, 81’).

Treinador: Abel Ferreira;

Disciplina:
Cartões Amarelos:
Sporting CP: André Pinto (82’).
SC Braga: Raúl Silva (34’); Ricardo Esgaio (45’); Vukcevic (68’).

Cartões Vermelhos:
Nada a assinalar.

Golos: (1-0) Bas Dost, 66’; (1-1) Dyego Souza (85’ gp); (1-2) Danilo (89’); (2-2) Bruno Fernandes (90+4, gp).
Prémio Melhor em Campo SCB / Bola P’ra Frente: Matheus e Danilo.

© Fotos: Joaquim Lima (Estúdios Lima – Vila Verde)

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