LN: Sta Clara, 3 – SC Braga, 3: Perdidos na ilha.

Publicado por em 20 Agosto, 2018

Abel Ferreira, técnico do SC Braga, com dores de cabeça acrescidas.

Abel Ferreira, técnico do SC Braga, com dores de cabeça acrescidas.

Empate com sabor a derrota do SC Braga no regresso aos Açores, 16 anos após o último confronto com o Santa Clara. Os arsenalistas ao intervalo venciam por três a zero, mas deixaram os da casa empatar, numa partida que ficou marcada pela apatia defensiva dos minhotos.

Aos 40 minutos de jogo o SC Braga chegou confortável à vantagem por 3-0, este resultado disfarçava uma entrada em campo algo titubeante dos minhotos mas o golo de Pablo Santos, aos 24 minutos (estreia a titular e a marcar com as cores do SC Braga), trouxe à equipa maior tranquilidade que os erros defensivos (como se provou no segundo golo dos arsenalistas, pleno de classe por Wilson Eduardo, ao minuto 29) do Sta. Clara permitiram ao SC Braga ter. Sem ter feito muito para tal, à meia-hora de jogo, o Braga estava cómodo no encontro, fruto dos dois golos em cinco minutos que atiravam para trás das costas as sombras do confronto europeu.

Após a eliminação europeia às mãos do FC Zorya, o Braga precisava, nos Açores, diante do recém-promovido Santa Clara, vencer. Só desta forma os fantasmas ficavam exorcizados e uma vitória poderia catapultar novamente os braguista para a habitual classe de jogo e tranquilidade. Aos 30 minutos, depois de algum nervosismo e desacerto inicial, o Braga parecia ter esse objetivo alcançado e tudo corria de feição.

Para reforçar o que foi escrito nas linhas acima, aos 40 minutos, depois de ser servido com mestria por Ricardo Horta, Dyego Souza fez um grande golo. No corredor central, a meio do meio campo ofensivo, recebeu no peito, colocou na relva e arrancou pela esquerda para, junto à quina da pequena área, desferir um golpe certeiro de pé esquerdo que entrou junto ao ângulo direito da baliza defendida por Marco. Um grande golo do brasileiro. A cinco minutos do fim da primeira parte, o Braga tinha os três pontos no avião com destino ao continente. O problema é que faltavam jogar outros 45 minutos.

O intervalo parece que fez mal aos homens de Abel Ferreira que vieram para a segunda parte, literalmente, a dormir. Logo no recomeço, aos 46 minutos, Thiago Santana aproveitou um buraco no centro da defesa arsenalista e após cruzamento na direita de Patrick Vieira, fuzilou com a cabeça um desamparado Matheus. Este golo punha o Braga em sentido e dava ânimo redobrado aos donos da casa. A este tento, respondeu o conjunto minhoto logo de seguida por Ricardo Horta, que fez aquilo que não costuma fazer, na grande área, errou o alvo.

A partir daqui o Braga não conseguiu voltar a importunar a defensiva contrária e o Santa Clara aproveitou para colocar a nu as evidentes fragilidades que os minhotos tem com as ausências de Goiano, Raul Silva e Claudemir. Por isso fica a pergunta, embora a esta distância seja mais fácil, o porquê de Palhinha (o jogador do plantel com características mais semelhantes a Claudemir) não ter ido a jogo. Eu sei que acertar o euro milhões à sexta-feira à noite não custa nada, mas foi notório neste jogo, como no da quinta-feira passada, que o Braga não tem ponto de equilíbrio no meio-campo.

E o Sta. Clara? Começava a acreditar cada vez mais que podia chegar aos pontos. Aos 60 minutos, após um remate falhado de Thiago Santana, que dessa maneira fez uma excelente desmarcação, endossou a bola para Zé Manuel, que solto no meio dos centrais, aproveitou para reduzir a diferença para um golo. Começava a temer-se o pior. Que aconteceu pouco depois.

Quatro minutos volvidos, Matheus negou o empate a Zé Manuel com uma defesa enorme e enviou a bola para canto. Antes da cobrança do pontapé de canto, Abel Ferreira (algo desinspirado também), solicitou a troca de Palhinha para o lugar de Wilson Eduardo e, ainda o pivot defensivo não tinha chegado à área, já o Santa Clara festejava o empate, pois ao primeiro poste, Fábio Cardoso cabeceou para dentro da baliza o canto batido por Osama Rashid. Estava feito o impensável e o Braga ficava ferido de morte. Inacreditável é pouco para expressar os sentimentos.

Até ao fim, Abel Ferreira tentou emendar a mão, mas as entradas de Xadas e Murilo (outra estreia) não surtiram efeito e o Braga ficou perdido na ilha, sendo Matheus a evitar males maiores para os seus pares. Depois de ter estado a ganhar por 3-0, depois de ter tido uma mão e quatro dedos a segurar os três pontos, sem se perceber muito bem e com muito demérito à mistura, o Braga deixou o Santa Clara chegar ao empate. Disse Abel Ferreira no fim do jogo que tinha de refletir sobre o mesmo. E de que maneira! Foi muito desacerto junto. Oito golos sofridos em quatro jogos oficiais são motivo de alarme. Com este resultado, o SC Braga sai dos Açores com mais dúvidas do que certezas.

FICHA DO JOGO

Estádio: São Miguel

Árbitro: Rui Oliveira (AF Porto)

Santa Clara:

Marco Pereira; Patrick Vieira, Fábio Cardoso, Accioly e João Lucas; Pedro Pacheco (Fernando Andrade, 39′) e Osama; Bruno Lamas, Dennis Pineda; Zé Manuel (Anderson Carvalho, 75′) e Thiago Santana (Alfredo Stephens, 71′);

Treinador: João Henriques;

SC Braga:

Matheus, Diogo Figueiras, Bruno Viana, Pablo Santos e Sequeira; João Novais e Fransérgio (Xadas, 72′); Ricardo Esgaio (Murilo, 83′), Ricardo Horta, Wilson Eduardo (Palhinha, 64′) e Dyego Souza;

Treinador: Abel Ferreira;

DISCIPLINA

Amarelos:

Santa Clara: Zé Manuel, 45′ e Thiago Santana, 56′;

SC Braga: João Novais, 15′; Ricardo Esgaio, 45+1′ e Ricardo Horta, 90′;

GOLOS: (0-1) Pablo Santos, 24′; (0-2) Wilson Eduardo, 29′; (0-3) Dyego Sousa, 40′; (1-3) Thiago Santana, 46′; (2-3) Zé Manuel, 60′ e (3-3) Fábio Cardoso, 64′;

Melhor em Campo: Matheus

© Fotos: Sporting Clube de Braga.

 

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