Estreia de sonho na fase de grupos da Liga Europa

Publicado por em 15 Setembro, 2017

Saber sofrer, marcar nos momentos certos, gerir com inteligência e aproveitar alguma sobranceria do adversário, foram os ingredientes da receita para uma vitória que muitos achavam demasiado improvável.

Vencer na estreia da fase de grupos, e logo em casa do adversário em teoria mais forte do grupo, que mais se poderia pedir aos Gverreiros do Minho?
As “odds” das casas de apostas eram desfavoráveis, talvez porque nas rondas anteriores dos respectivos campeonatos, o Hoffenheim se superou diante do todo-poderoso Bayern de Munique e o Braga saiu derrotado de Setúbal com uma exibição pálida, mas também por causa da elevada cotação atual desta emergente equipa alemã, orientada por um jovem e promissor técnico.
Na véspera, Julian Nagelsman revelara bom conhecimento do adversário, destacando os sucessos recentes dos bracarenses, tanto a nível nacional como internacional, prometendo respeito. No entanto, o onze inicial dos alemães evidenciava uma intenção de rodar os habituais titulares, surpreendendo as ausências de Amri e Geiger, os habituais dinamizadores do jogo do Hoffenheim.
Abel Ferreira também fez mexidas no seu onze, o que já não foi surpresa em função do mau desempenho em Setúbal. As entradas de Vukcevic, Esgaio (na ala direita à frente de Goiano), João Carlos Teixeira e Dyego Sousa haveriam de se revelar muito certeiras.
O jogo começou como se previa. O Hoffeneim pegou nas rédias e o Braga iniciou a partida com as linhas recuadas mas muito próximas uma das outras, com o objetivo de erguer uma muralha diante da baliza de Matheus. A estratégia de Abel resultou, pois, com o passar dos minutos o Hoffenheim, apesar de ter mais posse de bola, não tinha soluções atacantes. Nos primeiros 20 minutos praticamente não houve remates à baliza e o jogo tornou-se algo desinteressante. Embora apresentasse uma boa organização ofensiva, a equipa do SC Braga não aproveitava as recuperações de bola para contra-atacar. No momento de transição ofensiva, a equipa aparecia no meio-campo adversário com pouca gente e a circulação de bola lenta tornavam as ações ofensivas bracarenses inócuas.
O Hoffenheim deu o primeiro aviso aos 23 minutos, num cruzamento em diagonal da esquerda que encontrou Kadebarek liberto de marcação. O ala checo rematou de primeira aos ferros, na recarga Raúl Silva impediu que Rupp marcasse. No minuto seguinte, aproveitando nova lacuna no lado esquerdo da defesa bracarense, os alemães inauguraram o marcador. João Carlos Teixeira não cobriu o flanco e Sequeira perdeu o duelo individual, permitindo a Kadebarek cruzar para a entrada de Wagner, que só teve de empurrar para o golo aos 24 minutos.
Pela 8.ª vez nesta temporada, o Braga estava em desvantagem na primeira parte de um jogo. Os arsenalistas acusaram o golo sofrido, passaram os minutos seguintes com alguma dificuldades, mas tal como já sucedera noutros jogos, conseguiram numa primeira instância reencontrar o equilíbrio temporariamente perdido. A equipa bracarense que até então jogara com as linhas baixas começou a soltar-se e a esticar o seu jogo, aproveitando ainda algum relaxamento do Hoffeneim depois do golo obtido. Ainda assim , os alemães criaram perigo num contra-ataque ao minuto 37, quando Schulz galgou metros isolado pelo lado direito da defesa bracarense. Ao cruzar, Raúl Silva falhou o corte e valeu uma intervenção de recurso de Matheus, que evitou o golo de Kramaric.
Nos instantes finais na primeira parte o Braga já se superiorizara ao adversário. Aos 43 minutos, João Carlos Teixeira fez a bola passar rente ao poste na cobrança de um livre. O esforço haveria se ser premiado com a obtenção do golo do empate. Explorando um dos pontos fracos do Hoffenheim, o Braga numa transição ofensiva pelo lado esquerdo da defesa adversária, que estava descompensado, permitiu a Esgaio cruzar uma bola na perfeição que encontrou João Carlos Teixeira no coração da área. O jovem médio, um dos melhores do Braga no Rhein-Neckar-Arena, cabeceou para o golo à ponta-de-lança, quando já se jogava o minuto 45 + 1.

O bom final de primeira parte fez com que os bracarenses acreditassem que podiam discutir a partida, jogando de igual para igual no reduto deste adversário de alto gabarito. Assim foi, com o Braga a entrar no segundo tempo determinado e sem os receios observados no início da primeira parte. O avançado Paulinho, grande revelação deste início de época, mas que havia estado apagado nos primeiros quarenta e cinco minutos, começou a dar nas vistas. Aos 50 minutos, desmarcou-se na faixa para captar um passe longo, novamente aproveitando a fragilidade do adversário do lado esquerdo da sua defesa, depois combinou muito bem com Esgaio que apareceu rápido na área a cruzar rasteiro para o segundo poste, onde apareceu Dyego Sousa a empurrar para o segundo golo. O artilheiro brasileiro, que continua a cumprir castigo nas provas internas, marcou o segundo golo em dois jogos consecutivos da Liga Europa, no mesmo dia em que celebrou 28 anos.
Mas passado pouco tempo, Dyego saiu para dar lugar ao compatriota Fransérgio, talvez por acusar o esforço natural de quem tem poucos minutos de competição, ou por se ressentir de uma pancada sofrida na discussão de um lance. Porém, após a remontada bracarense, que já começa a ser uma tradição nesta temporada, o jogo iria mudar novamente de registo e Abel Ferreira, prevendo uma nova vaga ofensiva alemã, decidiu (e bem) fazer entrar um elemento de ligação entre o meio-campo e o ataque, deixando Vukcevic e Danilo encarregues das tarefas de marcação e recuperação. Acertou.
Até final do encontro, o Hoffenheim sentiu enormes dificuldades para encontrar o caminho para a baliza de Matheus. Só aos 69 minutos, por intermédio de Ochs, criou verdadeiro perigo, mas Sequeira evitou males maiores. Na resposta, foi o Braga quem esteve perto do 1-3, mas desaproveitou uma situação de contra-ataque em que estava em clara superioridade numérica. À medida que o final da partida se aproximava, os alemães tentavam o jogo directo para a área, mas a defesa bracarense, com maior ou menor dificuldade, foi resolvendo os problemas.

O Braga conseguiu um excelente resultado na primeira jornada da fase de grupos, reagindo bem ao desaire do Bonfim e, quiçá, surpreendendo um adversário que vinha altamente moralizado depois de um triunfo, também em sua casa, diante do Bayern de Munique. O próximo encontro europeu dos bracarenses está a agendado para 28 de setembro, na Pedreira, diante do Istambul Basaksehir onde atua o nosso bem conhecido Márcio Mossoró.

 

Ficha de Jogo

Estádio: Rhein-Neckar-Arena;

Árbitro: Bobby Madden (Escócia);

 

TSG Hoffenheim:

Baumann; Bicakcic (Hubner, 46’), Vogt (cap.) e Nordtveidt (Ochs, 69’); Rup, Grillitsch (Polanski, 56′),  Demirbay, Kaderabek e Shulz; Wagner  e Kramaric;

Treinador: Julian Nagelsmann;

 

SC Braga:

Matheus; Goiano (cap.), Rosic, Raúl Silva e Sequeira; Vukcevic, Danilo , Esgaio e João Carlos Teixeira (André Horta, 78’); Dyego Sousa (Fransérgio, 61’) e Paulinho (Hassan, 83’).

Treinador: Abel Ferreira;

 

Disciplina:

Cartões Amarelos:

TSG Hoffenheim: Nordtveidt, 42’ e Demirbay, 89’;

SC Braga: Raúl Silva, 87’;

 

Golos:

(1-0) Wagner, 24’; (1-1) João Carlos Teixeira, 45+1’; (1-2) Dyego Sousa, 50’.

 

Prémio Melhor(es) em Campo SCB / Bola P’ra Frente: João Carlos Teixeira e Ricardo Esgaio.

© Fotos: www.scbraga.pt

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