LE: Braga, 3 – Hoffenheim, 1: Em frente na Europa

Publicado por em 24 Novembro, 2017

O Braga voltou a sorrir em jornada europeia no dia 23 de novembro. Em 2010, diante do poderoso Arsenal, eficácia e organização, combinadas com o génio de Matheus, foram os ingredientes do sucesso. Passados sete anos, novamente diante do adversário mais cotado do grupo, a mesma receita, com Fransérgio e outro Matheus em evidência. O objetivo dos 10 pontos, traçado por Abel Ferreira, foi cumprido ao 5.º jogo. Os bracarenses partem agora para a última jornada na liderança do grupo C e com o apuramento assegurado.

Num jogo em que o empate até poderia ser suficiente para o apuramento imediato, o SC Braga entrou com vontade de vencer. Os arsenalistas deram o pontapé da saída e logo na primeira jogada construída, sobressaiu o génio de João Carlos Teixeira, que ultrapassou vários adversários pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro atrasado. Ninguém correspondeu na primeira vaga, a defesa alemã não aliviou, a bola sobrou para Marcelo Goiano que rematou rasteiro e colocado, sem hipóteses para Baumann que tinha a visão bloqueada por vários companheiros à sua frente. Não se podia pedir melhor início para o Braga.
A equipa alemã, que esta época se estreia nas competições europeias, não dispunha de nenhuma margem de erro para este jogo: era ganhar… ou ganhar. Por isso, após sofrer um golo madrugador, não tinha outro remédio que não fosse atacar o meio-campo do Braga na procura imediata do golo do empate e depois retomar a discussão pelos três pontos. Estruturado num esquema de 3-5-2, a equipa de Nagelsmann, pouco a pouco, foi-se instalando no meio-campo bracarense. Com um futebol de processos simples, procurando a profundidade através de combinações pelo corredor central, ao mesmo tempo que os alas Zuber e Schulz ofereciam largura, o Hoffenheim foi conseguindo recuar as linhas do Braga, que neste jogo revelou uma segurança e organização elevadas. Na primeira parte, apesar do maior domínio territorial, a equipa da Bundesliga nunca foi capaz de criar lances de verdadeiro perigo para a baliza de Matheus.
Outrossim, mercê do adiantamento dos jogadores do Hoffenheim e dum certo empolgamento ofensivo, sobravam espaços nas zonas recuadas, que o Braga não foi capaz de explorar eficientemente. Por diversas ocasiões o meio-campo defensivo do Braga, destaques para Danilo e Vukcevic, recuperou bolas e lançou o contra-ataque. Mas, os elementos criativos tentaram sempre as transições rápidas, ao invés de dividir a posse de bola com o adversário. Por duas ocasiões, João Carlos Teixeira, protagonista da jogada do primeiro golo, não foi capaz de decidir no momento certo, desperdiçando assim possibilidades de construir lances de perigo, que permitiriam à equipa sair para o intervalo com uma vantagem mais dilatada.

Durante o descanso, o treinador alemão sabendo da necessidade que tinha de vencer o jogo, mexeu na equipa retirando um jogador do trio defensivo, para colocar na ala esquerda um elemento ainda mais ofensivo: Gnabry. Este jogador, emprestado pelo Bayern de Munique, esteve muito perto de empatar a partida, na sequência de uma série de pontapés de canto conquistados no início da segunda parte. A pressão dos alemães intensificava-se, a falta de clareza na conclusão das jogadas verificada na primeira parte foi mitigada, o perigo começou a rondar a baliza de Matheus.
O Braga passou um mau bocado, pois, apesar de manter a organização defensiva, não conseguia ter posse de bola e sentia mais dificuldades em suster o ímpeto atacante do adversário. O treinador do Hoffenheim foi jogando todo os seus trunfos atacantes. Primeiro, lançando o melhor marcador: Uth. Mais tarde, metendo toda a “carne no assador”, chamando a jogo o corpulento ponta-de-lança internacional húngaro Szalai.
Respondeu Abel com as entradas de Dyego Sousa, com o objetivo de tentar segurar a bola na construção de jogo e também para refrescar a frente de ataque, onde Paulinho já dava sinais de desgaste. Mais tarde, lançou Fábio Martins para o lugar de João Carlos Teixeira, cuja exibição foi decrescendo depois do lance de génio que deu origem ao primeiro golo.
O golo da igualdade haveria de surgir aos 74 minutos, por intermédio de Uth, que instantes antes estivera cara-a-cara com Matheus, mas o brasileiro levara a melhor com uma intervenção brilhante. No entanto, na cobrança de um livre na meia esquerda, o avançado alemão conseguiu desviar para o golo.
O empate não servia os interesses do Hoffenheim, por isso, os alemães continuaram na mesma toada: muito adiantados no terreno, com muita gente de características ofensivas a aparecer junto da área. No entanto, tal como sucede com a manta de um pobre, quando cobre de um lado, destapa de outro. E assim, após uma recuperação, a bola sobrou para Dyego Sousa que iniciou o ataque, com aparente lentidão. Mas quando parecia que a iniciativa se iria perder, o ponta-de-lança brasileiro desmarcou Esgaio na direita, no momento certo. O extremo do Braga correu pelo flanco e cruzou rasteiro e colocado para ao coração da área, onde apareceu Fransérgio na zona de finalização a rematar para o 2-1 aos 81 minutos. Este segundo golo do Braga foi uma espécie de “knockout” na equipa alemã, cujos jogadores nunca mais reencontraram o equilíbrio emocional, ao mesmo tempo que o plano físico também já revelava debilidades. Passaram os alemães a jogar mais com o coração do que com a cabeça e, na tentativa de lançar rapidamente o ataque, uma perda de bola na linha média permitiu a Fransérgio, aproveitando o adiantamento do guarda-redes adversário, rematar de longe para o 3-1, aos 90 minutos.
O resultado ficou ali sentenciado, mas ainda houve “mosquitos por cordas”, pois, alguns jogadores do Hoffenheim, de cabeça perdida, protagonizaram alguns momentos de má conduta desportiva. Primeiro foi o húngaro Szalai a agredir Raúl Silva, atitude que lhe valeu a expulsão. Depois, foi Schulz a tentar arrastar Danilo para fora do relvado, quando o brasileiro estava prostrado no chão, uma situação que despoletou uma enorme confusão junto do banco bracarense.

Apesar do sofrimento, especialmente na segunda parte, um Braga bem organizado e eficaz na finalização, foi capaz de voltar a vencer o adversário que, à partida, era o favorito para vencer este grupo C. Foram atingidos os 10 pontos, objetivo inicial traçado por Abel Ferreira, quando ainda falta disputar uma jornada. No entanto, o Braga já está apurado para a fase de eliminatórias e mercê da vitória do Istambul Basaksehir em casa do Ludogorets, parte para a derradeira ronda na liderança do grupo.

 

Ficha de Jogo:

Local: Estádio Municipal de Braga

Árbitro: Andre Marriner (Inglaterra)

SC Braga:

Matheus; Marcelo Goiano (cap.), Ricardo Ferreira, Raúl Silva e Jefferson; Vukcevic, Danilo, Ricardo Esgaio e João Carlos Teixeira (Fábio Martins, 77’); Fransérgio e Paulinho (Dyego Souza, 71’).

Treinador: Abel Ferreira.

TSG 1899 Hoffenheim

Baumann; Vogt (cap.), Nordtveit (Gnabry, 46’) e Posch; Zuber (Szalai, 66′), Grillitsch, Geiger (Uth, 52′), Demirbay e Schulz; Demirbay e Kramaric.

Treinador: Julian Nagelsmann.

Disciplina:
Cartões Amarelos:
SC Braga: João Carlos Teixeira (75′); Esgaio (80’); Marcelo Goiano (83′); Ricardo Ferreira (90+7′).
TSG 1899 Hoffenheim: Ricardo Esgaio (64’); Raúl Silva (90’).

Cartões Vermelhos:
TSG 1899 Hoffenheim: Szalai (90+6′).

Golos: (1-0) Marcelo Goiano, 1’; (1-1) Uth, 74′; (2-1) Fransérgio, 81′; (3-1) Fransérgio, 90+3′.

Prémio Melhor em Campo SCB / Bola P’ra Frente: Fransérgio e Matheus.

© Fotos: www.scbraga.pt

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