LE: Braga – 0, Ludogorets – 2

Publicado por em 20 Outubro, 2017

A invencibilidade europeia do Braga na época 2017/18, que durava há seis jogos, foi quebrada pelo Ludogorets. O atual campeão da Bulgária veio a Braga jogar bem fechado, mas demonstrou qualidade suficiente para suster o domínio bracarense e aproveitar eficazmente os erros do adversário.

Numa noite em que a chuva miudinha foi incessante (pena que não tivesse aparecido mais cedo, talvez no Sábado!), a bola não rolou sem que antes se homenageassem as vítimas dos terríveis incêndios que varreram todo o território português, a norte do rio Tejo, no passado Domingo. O minuto de homenagem proposto à UEFA foi vivido (e sentido) num silêncio, paradoxalmente, “ensurdecedor”.

O Braga começou o jogo com o pé no acelerador. Moralizados e com os índices de confiança em alta, fruto das duas vitórias nas jornadas anteriores do grupo C, os Guerreiros do Minho realizaram uns 20 minutos iniciais com vivacidade, energia e dinâmica. Logo aos 5 minutos, Esgaio surgiu desmarcado na direita, cruzou atrasado para Hassan, que de primeira fez um remate, que se não fosse o desvio do adversário, provavelmente tinha ido parar ao fundo das redes. Passados 3 minutos, o auxiliar do lado da nascente anulou um golo limpo a Ricardo Ferreira, que correspondeu a um cruzamento da esquerda de Paulinho. Aos 20 minutos, novamente Ricardo Ferreira em foco, após um cruzamento de João Carlos Teixeira, o luso-canadiano cabeceou por cima da barra, quando estava em excelente posição para alvejar a baliza.
A partir daqui começou o calvário arsenalista…

Contra a corrente do jogo, os búlgaros haveriam de ser os primeiros a marcar. Foi aos 25 minutos, na sequência de um canto batido de forma curta e perante a passividade dos jogadores do Braga,  o brasileiro Wanderson cruzou para a entrada da pequena área, onde surgiu o central Moti a cabecear sem hipóteses de defesa para Matheus.
Praticamente na jogada seguinte, aos 27 minutos, o mesmo Wanderson que havia assistido o colega para o primeiro golo, apareceu cara-a-cara com Matheus, depois de uma longa correria, valeu a intervenção de recurso do n.º 1 bracarense, que assim evitou o 0-2.
A equipa de Abel Ferreira acusou em demasia o golo sofrido. Até ao final da primeira parte, revelou-se uma equipa ansiosa, a querer executar de forma rápida e quase sempre ineficiente. Por sua vez, o adversário que trazia uma estratégia defensiva para o jogo, sentia-se confortável e trocava a bola a seu bel-prazer, já que é dotada de bons executantes.

O treinador bracarense não fez nenhuma alteração ao intervalo, acreditando que os mesmos 11 que entraram poderiam resolver a questão. Ao minuto 55 começou o festival de Renan, guarda-redes brasileiro do Ludogorets. João Carlos Teixeira bateu o canto, Raúl Silva, ao seu estilo, apareceu na área para cabecear, mas o guardião adversário respondeu com uma enorme defesa.
Na jogada que se seguiu, um erro de Goiano deitou tudo a perder. Um atraso mal medido do capitão bracarense para Matheus, permitiu que Lukoki se isolasse, contornasse o guarda-redes e rematasse na diagonal. A bola bateu caprichosamente no poste mais distante e a atrapalhação de Raúl Silva, pressionado por um adversário na proximidade, resultou num golo na própria baliza.
Em desvantagem de dois golos, Abel não esperou pelo timing típico das suas mexidas, i.e., após decorrer a hora de jogo, lançando de imediato Xadas e Fábio Martins para os lugares de JCT e Goiano, recuando Esgaio para lateral direito.
Aos 62′, Fábio Martins agitou o jogo. Depois de tirar dois adversários do caminho, o camisola 26 rematou forte, mas o remate foi parado pelo inspiradíssimo Renan.
Por volta do minuto 70, o árbitro transalpino volta a borrar a pintura, ao não assinalar uma grande penalidade claríssima a favor do Braga, uma vez que o defesa do Ludogorets cortou com o braço, na área de rigor, um remate que ia na direção da baliza. Na sequência dos protestos, Abel Ferreira viria a ser expulso, de acordo com o treinador bracarense, por indicação do 4.º árbitro.
Entretanto, André Horta entrou em campo para o lugar de Fransérgio e aos 77 minutos cruzou para a entrada da pequena área, onde Hassan saltou mais alto do que a concorrência, mas cabeceou fraco para as mãos de Renan. O mesmo André Horta, passados dois minutos, rematou de longe e, uma vez mais, Renan bloqueou o tiro.
O Braga teimava em não conseguir reduzir a desvantagem, que lhe permitiria reentrar no jogo. Ainda assim, saliente-se a postura guerreira da equipa, que nunca baixou os braços, e aos 88 minutos esteve mesmo perto de reduzir, mas primeiro Ricardo Ferreira, depois Hassan, não conseguiram encontrar o caminho do golo. Aos 90 minutos, foi a vez de Paulinho tentar a sorte, só que esta foi sempre madrasta para os bracarenses nesta noite de Outono.

Com esta vitória, o Ludogorets ultrapassa o Braga na liderança do grupo. A estratégia de Dimitar Dimitrov deu frutos, ou seja, a equipa búlgara soube jogar no erro do adversário e foi mais eficaz. A vasta experiência de alguns dos seus jogadores, aliado ao facto de já ser um grupo com várias épocas a jogar em conjunto, fizeram a diferença.

Duas notas negativas a registar:
Primeiro, perto do final, quando a equipa do Ludogorets aproveitava os momentos de paragem para fazer algum anti-jogo, o avançado Lukoki terá sido alvo de manifestações racistas por parte de uma minoria de adeptos bracarenses. Inclusivamente, o árbitro da partida alertou a organização de jogo de que poderia interromper o jogo em caso de reincidência.
Segundo, a péssima prestação da equipa de arbitragem, que acumulou erros técnicos graves, ao não assinalar grandes penalidades, na área bracarense no início da primeira parte e na área búlgara no início da segunda, bem como ao anular mal um golo a Ricardo Ferreira ao minuto 8. Além disso, revelou dualidade de critérios no capítulo disciplinar.

 

Ficha de Jogo:

Local: Estádio do Municipal de Braga.

Árbitro: Davide Massa (Itália).

SC Braga:

Matheus; Goiano (cap.) (Xadas, 59′), Ricardo Ferreira, Raúl Silva e Jefferson; Vukcevic, Fransérgio (André Horta, 73′), Esgaio e João Carlos Teixeira (Fábio Martins, 59′); Paulinho e Hassan

Treinador: Abel Ferreira;

Ludogorets:

Renan; Cicinho, Forster, Plastun, Moti e Natanael ()Lucas Sasha, 85′); Goralski e Anicet, Marcelinho (cap.) (Dyakov, 74′), Wanderson e Lukoki (Keseru, 83′).

Treinador: Dimitar Dimitrov;

 

Disciplina:
Cartões Amarelos:
SC Braga: Ricardo Ferreira (45′), Esgaio (49′), Paulinho(86′).
Ludogorets: Natanael (47′);
Cartões Vermelhos:
Nada a assinalar.

Golos: (0-1) Moti, 25’; (0-2) Raúl Silva (a.g.), 56’.
Prémio Melhor em Campo SCB / Bola P’ra Frente: Paulinho

© Fotos: Página Oficial SC Braga

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