I LIGA: No Bonfim não houve duas sem três

Publicado por em 17 Março, 2019

Dyego Sousa e Paulinho festejam o golo da vitória do Braga marcado por Wilson Eduardo.
Murilo e Dyego Sousa fabricaram o golo do triunfo e foram os homens em destaque.

Se na época passada o Estádio do Bonfim foi o Cabo das Tormentas para o Braga, esta temporada foi o Cabo da Boa Esperança. Braga alcançou a terceira vitória consecutiva na I Liga e mantém-se isolado no terceiro lugar

Definitivamente, o SC Braga entrou no trilho das vitórias. Após três desaires consecutivos contra Sporting, Belenenses e Porto, que abalaram as hostes arsenalistas e geraram preocupação entre os adeptos, a nau bracarense parece finalmente ter encontrado ventos favoráveis e navega de novo em águas calmas. À semelhança do que aconteceu noutros jogos fora esta época, o Braga não fez uma exibição de encher o olho, porém, teve doses de eficácia e sofrimento suficientes para conseguir um triunfo pela margem mínima.

Abel Ferreira parece ter encontrado a fórmula vitoriosa nesta variante tática que tem apresentado, mantendo a opção por um meio-campo mais musculado, com Palhinha e Claudemir, sendo que o primeiro aparece em zonas mais recuadas para permitir libertar o segundo para funções mais ofensivas. Quanto a Fransérgio, continua a atuar na zona onde mais rendeu na época passada, i.e., jogando à frente da dupla de médios no apoio a Dyego Sousa. Este jogo ficou marcado pela ausência de Wilson Eduardo, que viajou para Angola devido ao falecimento do pai. Para o lugar do camisa 7, Abel já tinha disponível Esgaio, mas optou (e bem) por confiar a titularidade a Murilo. O brasileiro correspondeu à chamada com um golo e foi, a par de Dyego Sousa, o elemento mais em evidência no conjunto arsenalista.

O equilíbrio e a monotonia foram as notas dominantes na primeira parte. A equipa da casa, que ocupa uma posição delicada na tabela classificativa (é o primeiro acima da linha de água), procurou contrariar o jogo bracarense através de um meio-campo muito povoado, com Semedo, Nuno Valente e Rúben Micael, e Éber Bessa jogando entre as linha no apoio à dupla atacante composta por Hildeberto e Cádiz.

Contrariamente ao que seria de esperar, o Braga não conseguiu pegar nas rédeas do jogo e exercer domínio sobre o Vitória, que por sinal estaria à espera de entregar a iniciativa aos bracarenses para depois apostar no contra-ataque. O Braga começou o jogo com um ritmo lento, excetuando uma ou outra iniciativa de Murilo e tornou-se presa fácil para a boa organização defensiva setubalense. Além disso, os minhotos eram lentos na reação à perda de bola e tomavam uma atitude muito expectante quando o adversário tinha a posse, ao invés de pressionar os jogadores setubalenses. Esta atitude passiva permitiu aos homens da casa ganharem confiança e jogar mais tempo no meio-campo bracarense do que seria previsível.

Ainda assim, o primeiro sinal de perigo aconteceu aos 16 minutos, na sequência de uma recuperação de bola e bom cruzamento da esquerda por parte de Murilo, Fransérgio chegou ligeiramente atrasado ao cruzamento do seu colega e gorou-se a primeira grande oportunidade de golo do jogo. Apesar do Braga ter mais bola nesta fase da partida, o Vitória esteve melhor, muito pressionante e a fechar bem as movimentações de Fransérgio entrelinhas. Contudo, o golo acabou por surgir aos 35 minutos. Palhinha recuperou a bola e endossou para Murilo, este trabalhou na esquerda e cruzou para a área. Dyego fez uma excelente receção de peito, ajeitou para o seu pé esquerdo e rematou forte rasteiro. A bola bateu no poste, mas ressaltou para Murilo, que oportuníssimo encostou para o golo. A defesa do Vitória ficou a ver a bola passar, quiçá pensando que o avançado do Braga estaria em fora-de-jogo, o que não aconteceu.

O Vitória teve uma reação enérgica ao golo, tentou empurrar o Braga para o seu reduto defensivo, mas sem criar oportunidades de golo. A exceção foi um remate forte de fora da área de Mano, ao qual Tiago Sá correspondeu com uma defesa soberba com a mão esquerda. O resultado ao intervalo premiava o Braga pela eficácia no aproveitamento das poucas oportunidades de golo existentes.

As equipas regressaram do balneário sem alterações nos onzes. A qualidade de jogo não melhorou e Sandro Mendes mexeu na equipa aos 59 minutos, retirando o seu jogador mais criativo e esclarecido no meio-campo, Rúben Micael, arriscando com a entrada de Allef para fazer uma dupla de pontas-de-lança com Cádiz. O Vitória começou a jogar de forma mais direta, pelos flancos e fazendo cruzamentos para a área. Aos 66 minutos a bola chegou a entrar na baliza de Tiago Sá, mas o remate de Allef foi invalidado por posição irregular do avançado da casa.

O Braga estava a perder o controlo das operações e, por isso, Abel decidiu lançar a jogo João Novais para o lugar de um apagado Ricardo Horta. Esta primeira mexida acabou por se tornar numa dupla substituição, porque Raúl Silva teve de sair lesionado, dando lugar a Pablo.

A entrada de João Novais possibilitou ao Braga equilibrar as operações no meio-campo, a equipa do Vitória de Setúbal tentava mais com o coração do que com a cabeça e por isso o perigo não rondou a baliza de Tiago Sá. O jogo entrou numa fase em que se jogava pouco e se faziam muitas faltas. Os treinadores esgotaram as substituições, com Sandro Mendes a lançar Zequinha e Sekgota para os lugares de Éber Bessa e Hildeberto. Por sua vez, Abel tirou Dyego Sousa, desgastado, e trocou o brasileiro, que esta semana foi chamado por Fernando Santos à seleção AA de Portugal, por Paulinho.

O Vitória de Setúbal tentou um último esforço nos instantes finais, com vários cantos conquistados e o Braga a sofrer bastante. O guarda-redes Makaridze também desceu algumas vezes à área oposta para tentar a sua sorte. No segundo minuto do tempo de compensação, Allef obrigou Tiago Sá a mais uma grande defesa, depois de um primeiro remate de Sekgota e defesa para a frente do guardião bracarense.

O Braga consegue assim a terceira vitória consecutiva na I Liga, que vai parar no próximo fim-de-semana para compromissos da seleção. Os Guerreiros do Minho regressam à competição no final do mês, com uma dupla receção ao FC Porto: primeiro para a 27.ª jornada do campeonato e passados poucos dias para a 2.ª mão da meia-final da Taça de Portugal.

FICHA DO JOGO

LOCAL: Estádio do Bonfim (Setúbal)

ÁRBITRO: Manuel Mota (AF Braga)

VITÓRIA FC:

Makaridze; Mano, Artur Jorge, Vasco Fernandes (c), Artur Jorge e André Sousa; Semedo, Nuno Valente, Rúben Micael (Allef, 59′) e Éber Bessa (Sekgota, 86); Hildeberto (Zéquinha, 74′) e Cádiz.

TREINADOR: Sandro Mendes.

SC BRAGA:

Tiago Sá; Marcelo Goiano (c), Bruno Viana, Raúl Silva (Pablo, 69’) e Sequeira; Palhinha, Claudemir e Fransérgio; Wilson Eduardo, Ricardo Horta ( João Novais , 69’), Murilo e Dyego Souza (Paulinho, 81′).

TREINADOR: Abel Ferreira.

DISCIPLINA:

AMARELOS

VITÓRIA FC: Nada a assinalar.

SC BRAGA: Claudemir, 72′ e Marcelo Goiano, 77’.

VERMELHOS: Nada a assinalar.

GOLOS: (0-1) Murilo.

MELHOR EM CAMPO BPF: Murilo e Dyego Sousa.

© Fotos: Facebook Oficial Sporting Clube de Braga 

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