I LIGA: Vazio de ideia do Braga redondeou em derrota.

Publicado por em 18 Fevereiro, 2019

Dyego Souza, goleador do Braga, tentou lutar em jogo inglório.
Dyego Souza, goleador do Braga, tentou lutar em jogo inglório.

Um Braga sem ideias e acorrentado pelo sistema de jogo leonino, perdeu em Alvalade por expressivos três golos sem resposta. Pior do que o resultado foi a pálida exibição de uma equipa que nunca se encontrou no jogo.

A jornada deste fim-de-semana representava para o SC Braga um teste importante. O jogo na casa do Sporting, que nas últimas sete partidas só tinha ganho uma nos 90 minutos, era visto como um importante teste para a afirmação dos minhotos enquanto candidatos ao pódio nesta liga. Sejamos honestos ao afirmar que tudo o que for acima disso, será um acréscimo recebido de braços abertos, só que o Braga voltou a perder no confronto com os rivais diretos.

Depois da derrota no Dragão (onde o Braga regressa no dia 26 do corrente para a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal), na qual o Braga mostrou bons predicados, as deslocações à Luz e esta agora a Alvalade, mostraram uma equipa que carece ainda de maior estofo e que sofre com as dores do crescimento. A formação da capital do Minho não conseguiu, de todo, capitalizar em momentos delicados para os rivais.

Em Alvalade morava uma equipa, que se sabia à partida, estar ferida. O leão vivia sobre brasas. Jogadores e treinador tinham as bancadas desconfiadas depois da derrota pesada, em casa, contra o Benfica, e do inesperado desaire de quinta-feira passada contra o Villareal, a falta de confiança era o mote para o jogo, mas Keizer, mudou o sistema e baralhou Abel Ferreira, que chegou mesmo a admitir, na conferência de imprensa pós-jogo, que esta alteração, o tinha apanhado de surpresa. O pior mesmo, foi o facto da equipa arsenalista nunca se ter encontrado.

Por norma, principalmente nos últimos jogos, o Sporting tinha arranques de jogo desastrosos, só que neste confronto, as coisas mudaram. O holandês que treina os leões (depois de um bom inicio tinha agora os holofotes do descrédito apontados para si), alterou a estratégia, colocou Borja a fazer uma linha de três centrais com Ilori (à direita), Coates (ao centro) e com os flancos entregues a Ristovski e Acuña, esta forma (em 3x4x3) de jogar do Sporting, confundiu o Braga que demorou imenso tempo a reagir e os ajustes além de chegarem tarde, não surtiram efeito.

Além deste modo de encarar o jogo, o Sporting contou com outro fator importante, a incapacidade do meio campo do Braga em pressionar Wendel e Bruno Fernandes, que surgiram sempre muito à vontade e como são jogadores de qualidade, complicaram sempre a vida a Fransérgio e Claudemir, estes dois, irreconhecíveis durante todo o jogo.

Para piorar este fado, Diaby esteve em noite sim e como fugiu muitas vezes para zonas interiores, deixava o flanco disponível para Ristovski, com isto, Sequeira, pouco apoiado, ficava com uma dupla dor de cabeça que nunca conseguiu aliviar. O Braga era na primeira parte uma amostra distante daquilo que pode e sabe fazer, embora tenham sido os Gverreiros do Minho a criar perigo a primeira oportunidade do jogo. Foi aos oito minutos que Ricardo Esgaio, solto na área, rematou muito por alto. A saída de Esgaio ao intervalo, determina o momento menos bom que o nazareno atravessa.

Depois deste lampejo, o jogo pendeu sempre para o Sporting e Tiago Sá ainda conseguiu, com uma excelente intervenção, adiar o primeiro golo após boa jogada leonina pelo flanco direito (o tal de Sequeira), Ristosvki surgiu bem na área e serviu de bandeja Bas Dost que rematou para boa intervenção do guarda-redes minhoto. Sentia-se que o Braga estava curto e o Sporting à vontade.

Até que surgiu o primeiro golo do jogo. Livre à entrada da área a castigar falta cometida por Raúl Silva, no lado direito do ataque leonino, sobre Bruno Fernandes, que o próprio se encarregou de marcar e, com uma bela execução. inviabilizou a tentativa de Tiago Sá defender. Um bom golo. Estava aberta a lata.

Até ao intervalo, o Sporting continuou solto e o Braga sem ideias.

No reatamento, Abel Ferreira introduziu Wilson Eduardo para o lugar de Esgaio, mas a tentativa de reação do Braga caiu por terra ao minuto 49. Uma investida pela direita de Diaby, que arrancou (sem que ninguém o importunasse, atrás da linha divisória do terreno) só parou, depois de correr à vontade mais de meio campo, na grande área, derrubado por Claudemir, Jorge Sousa, sem dúvidas, apontou para a marca dos 11 metros e Bas Dost, com frieza, enganou Tiago Sá e colocou o Sporting com dois logos de vantagem.

O canto do cisne leonino chegaria ao minuto 68, quando novamente pela direita o Sporting voltou a fazer estragos. Bruno Fernandes soltou-se da pálida marcação de Claudemir e na linha de fundo, já dentro da área, cruzou atrasado para as costas de Bruno Viana, Bas Dost, sem marcação, atirou a contar para a baliza sem dar a mínima chance de sucesso a Tiago Sá. Estava feito o resultado final.

Abel Ferreira ainda fez entrar Ricardo Horta, mas nada havia a fazer e ao minuto 76, com a entrada de Ryller para o lugar de Paulinho, o técnico dos bracarenses, dava por fechado o jogo, pois a vitória leonina não podia sofrer, como não sofreu, contestação.

No final do jogo, Sequeira e Abel, que fizeram análise à partida, foram unânimes ao reconhecer que o Sporting tinha estado melhor neste jogo. Quando assim é, nada mais há a dizer. Venha de lá o Belenenses antes de se ativar o modo Taça de Portugal.

FICHA DE JOGO:

ESTÁDIO: Alvalade XXI (Lisboa)

ÁRBITRO: Jorge Sousa (AF Porto)

SPORTING CP:

Renan Ribeiro, Tiago Ilori, Coates e Borja; Ristosvki, Gudelj, Wendel (Doumbia, 82’) e Acuña; Bruno Fernandes, Diaby (Raphinha, 78’) e Bas Dost (Luiz Phellype, 70’).

Treinador: Marcel Keizer.

SC BRAGA:

Tiago Sá, Marcelo Goiano, Bruno Viana, Raúl Silva e Sequeira; Claudemir, Fransérgio, Ricardo Esgaio (Wilson Eduardo, 46’) e João Novais (Ricardo Horta, 69’); Paulinho (Ryller, 76’) e Dyego Souza.

Treinador: Abel Ferreira.

DISCIPLINA:

AMARELOS:

SPORTING CP: Ristovski, 40’; Wendel, 47’; Gudelj, 75’, Renan Ribeiro, 82’ e Luiz Phellype, 83’.

SC BRAGA: Claudemir, 49’; Fransérgio, 83’ e Raúl Silva, 84’.

VERMELHOS:

Nada a assinalar.

GOLOS: (1-0) Bruno Fernandes, 33’; (2-0) Bas Dost, 49’ g.p.; (3-0) Bas Dost, 69’.

MELHOR EM CAMPO EQUIPA BFP: Marcelo Goiano, Bruno Viana e Tiago Sá.

© Fotos: Facebook Oficial Sporting Clube de Braga.

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