I LIGA: Capitão mostrou o caminho.

Publicado por em 3 Fevereiro, 2019

Marcelo Goiano guiou o Braga para a vitória.
Marcelo Goiano guiou o Braga para a vitória.

O SC Braga saiu com os três pontos na visita às Aves. Os golos de Goiano e Paulinho ditaram o dois a zero final. Um jogo que valeu pela excelente segunda parte dos arsenalistas, após uns primeiros 45 minutos sem grandes motivos de interesse.

A curta deslocação do Braga às Aves, a repetir confronto recente para a Taça de Portugal, podia, à partida, considerar-se perigosa pois a formação da casa, agora orientada por Augusto Inácio, estava a viver um excelente momento com duas vitórias seguidas, que injetavam moral redobrada nas tropas avenses.

Talvez por isso mesmo, o técnico arsenalista, Abel Ferreira, tenha optado de início pela inclusão de Palhinha no miolo, pois já diz o ditado: cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Só que cedo se percebeu que, ao contrário do que era de prever, a formação do Aves, que todos julgavam que se iria apresentar em campo com um arrojado 3x4x3, apresentou-se num temerário 5x4x1. Esta versão tática apesentada pelos donos do terreno não passava de uma forma de jogar ultradefensiva e a bola era para entregar ao rival e tentar, a espaços, sair rápido nas costas do Braga.

Com esta disposição, também depressa se percebeu que Palhinha era um peixe fora de água, porque muitas vezes (demasiadas até) era ele que iniciava o processo de construção ofensivo do SC Braga e nesse capítulo, Palhinha, não é de todo, a opção mais indicada. Invariavelmente as bolas saíam dos pés do jogador emprestado pelo Sporting, ou para trás ou para os lados, sem progressão no terreno. Importa aqui dizer que a culpa não será toda de Palhinha, que foi colocado a fazer um papel que não é de todo o seu, se calhar o culpado foi o argumentista deste filme, pois o guião, não foi bem escrito.

Contudo, mesmo sem a habitual lucidez ofensiva, as chances de perigo na primeira parte estiveram a cargo do Braga. Na primeira, o goleador-mor desta Liga, Dyego Souza, depois de uma saída pouco ortodoxa de Bernardeaux, fez um chapéu que só não deu golo porque Diego Gallo, em cima da linha de baliza, conseguir tirar a bola e, na segunda oportunidade, Paulinho, quase em cima do intervalo, desviou para o poste, de forma subtil, um bom cruzamento de Sequeira, na cobrança de um livre lateral. E na primeira parte, foi só isto que tivemos. Muita vontade e pouco futebol.

Aqui há que dizer que o pobre jogo que tinha havido na primeira metade do confronto, tinha um grande culpado: o CD Aves, que apenas se limitou a tarefas defensivas. A equipa de Augusto Inácio, que tão boas indicações tinha dado em partidas anteriores, nesta, foi uma sombra de si mesmo.

No recomeço, Abel Ferreira fez o que tinha de fazer, tirar Palhinha e introduzir Fransérgio. Foi o que fez. E não faz falta ter nenhum nível de treinador para perceber isto.

Logo após o apito de Hugo Malheiro para o recomeço, se percebeu que a dinâmica ofensiva do Braga era outra e foi possível notar que isto abalou a forma como o Aves estava em campo. Nos primeiros cinco minutos da segunda parte, o Braga foi mais intenso, mais perigoso e mais positivo do que em toda a primeira metade. Estavam lançados os dados.

A baliza do Aves começou a sentir o perigo a cada instante. Cheirava a golo e antes dele acontecer, Ricardo Horta, teve duas boas chances. Numa delas, a bola bateu em Dyego Souza e saiu por cima, na outra, foi Diego Gallo que desviou. O Aves começava a atrasar o inevitável.

Aos 60 minutos, Fransérgio tocou a bola para Esgaio, este, bem encostado ao flanco direito entregou para o capitão, Marcelo Goiano, o dono da braçadeira arrancou desde a linha divisória e progrediu pelo centro do terreno, entregou para Dyego Souza e na sobra, o 87 do Braga, rematou à entrada da área sem hipótese para Bernardeaux. E assim, desta forma, ficava aberto o ativo e a equipa, “obrigada” pelo capitão, festejou toda junta perto do banco de suplentes. Comunhão perfeita e os adeptos em delírio ali bem perto. (Ver golo aqui).

Este golo foi a vitamina que deu expressão ao grande jogo que o Braga estava a levar a cabo nesta metade do jogo. O brinde chegou sobe forma de grande jogada ao minuto 66.

Esta jogada, e consequente golo, deve ser mostrado nas escolas de formação, porque a essência do jogo bonito, é isto mesmo. Pela direita, Fransérgio (o tal que entrou para o lugar de Palhinha), viu a desmarcação de Esgaio, inteligente o jogador da Nazaré levou até à linha de fundo e entregou para a cabeça da área, Ricardo Horta segurou e combinou curto com Dyego Souza, este tocou de forma preciosa para Horta, que surgiu pela direita na área e sem egoísmo cruzou para o poste mais distante, aí, Paulinho, encostou para o dois a zero. (Ver golo aqui). Uma vénia, se faz favor. Que lindo é o futebol quando se joga assim: simples. Mas é essa simplicidade que é difícil de alcançar. O Braga, na segunda parte deste jogo, conseguiu fazê-lo.

Daqui até ao fim, Augusto Inácio tentou inverter o rumo, mas não havia nada a fazer, porque o Braga estava seguro de si mesmo e só não fez mais golos por falta de pontaria.

De forma justa o Braga saiu das Aves com os três pontos e com uma exibição de encher o olho…na segunda parte, porque a primeira foi pouco (ou nada) conseguida.  

FICHA DE JOGO

Local: Estádio do CD Aves

Árbitro: Hugo Malheiro (AF Lisboa)

CD AVES:

Bernardeaux, Rodrigo, Ponck, Diego Gallo, Jorge Felipe e Vítor Costa (Braga, 69′); Vítor Gomes, Cláudio Falcão (Fariña, 69′), Mama Baldé e Luquinhas (Erik Nascimento, 84′); Derley.

Treinador: Augusto Inácio.

SC BRAGA:

Tiago Sá; Marcelo Goiano, Bruno Viana, Raúl Silva e Sequeira; Palhinha (Fransérgio, 46′), Claudemir, R. Esgaio e R. Horta (João Novais, 77′); Paulinho e Dyego Souza (Wilson Eduardo, 88′).

Treinador: Abel Ferreira

DISCIPLINA

AMARELOS:

CD AVES: Luquinhas, 39′; Mama Baldé, 50′; Braga, 90+1′;

SC BRAGA: João Palhinha, 29′; Marcelo Goiano, 33′; Raúl Silva, 33′; Bruno Viana, 83′;

VERMELHOS:

Nada a assinalar.

GOLOS: (0-1) Marcelo Goiano, 60′; (0-2) Paulinho, 66′.

MELHOR EM CAMPO EQUIPA BP’F: Marcelo Goiano.

© Fotos: Facebook Oficial Sporting Clube de Braga.

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