I LIGA: Braga de raça e coração, regressou à normalidade.

Publicado por em 3 Março, 2019

Dyego Sousa e Paulinho festejam o golo da vitória do Braga marcado por Wilson Eduardo.
Dyego Sousa e Paulinho festejam o golo da vitória do Braga marcado por Wilson Eduardo.

O SC Braga voltou ao caminho das vitórias e fê-lo em Vila Conde, onde não ganhava (nem marcava) desde 2015. O Rio Ave ainda se adiantou no marcador, por Carlos Jr., mas a equipa arsenalista conseguiu a reviravolta por intermédio de Paulinho e Wilson Eduardo, este último, a marcar já em tempo de compensação.

O SC Braga tinha um teste de fogo em Vila Conde, terreno onde há sete jogos (contando todas as competições) não vencia e há seis que não marcava. Não era, seguramente, o melhor local para regressar às vitórias, mas com muita alma e fibra em doses qb, os arsenalistas saíram do estádio dos Arcos com os três pontos na bagagem e com tónico acrescido para o dérbi do Minho com o Vit. Guimarães, do próximo sábado.

Neste jogo, estavam frente a frente, duas equipas em fases complicadas, ambas com duas derrotas seguidas para a liga e com a agravante de o Rio Ave já não vencer em casa desde outubro. E não foi hoje que o conseguiu fazer.

No embate desta jornada 24, Abel Ferreira optou por não fazer grandes alterações no onze inicial, Tiago Sá recuperou o seu lugar na baliza e Esgaio, lesionado, cedeu o seu lugar ao recuperado Marcelo Goiano, de resto, a mesma equipa que havia defrontado o Porto, na passada terça-feira, no Dragão, para a Taça de Portugal. Já o Rio Ave, fruto dos castigos de Diego Lopes e Filipe Augusto e a indisponibilidade, já na fase de aquecimento, de Nelson Monte, surgiu com uma equipa com algumas alterações.

O primeiro grande destaque deste jogo vai para o forte vento que se fez sentir em Vila Conde e, se na primeira parte foi o Rio Ave que sentiu dificuldades, na segunda foi o Braga quem teve de viver com esta adversidade. O vento era de tal forma forte que os guarda-redes, ao baterem os pontapés de baliza, viam a bola travar no ar e não passar a linha de meio-campo.

Na primeira parte, o Braga com o vento a seu favor, não soube tirar proveito desta vantagem, talvez por falta de habituação e notou-se também, mas aí em todo o jogo, que o Braga perdeu, muito provavelmente por via dos últimos resultados, as dinâmicas que já se lhe viram esta época. Não raras vezes a equipa não teve fio condutor, nem capacidade para criar espaços, surgiu desgarrada e amorfa. E sem grandes motivos para mais tarde recordar, os primeiros 45 minutos chegaram ao fim e correram sem que os guarda-redes fossem postos à prova e sem que tivessem havido jogadas de grande destaque.

Os da casa, fruto das dificuldades impostas pelo vento, pouco ou nada se viram nesta primeira parte. Na segunda, o cenário modificou-se.

No reatamento o Rio Ave (agora com o vento a favor) conseguiu fazer aquilo que o Braga não conseguiu em toda a primeira parte e, no primeiro remate enquadrado com a baliza, em zona frontal, após boa combinação, Carlos Jr., fez o primeiro tento do jogo, dava vantagem à sua equipa e colocava o Braga sobre brasas ainda maiores.

O Braga tentou reagir, mas vieram ao de cima as dúvidas e a falta do tal fio condutor já referido. A formação minhota tentava não se perder e a expulsão de Jambor, ao minuto 55, deu novo ânimo aos arsenalistas. É certo que não foi notório logo de seguida esse novo fôlego, mas com o tempo, o Braga começou a tomar conta das operações e a partir do minuto 70, depois das entradas em campo de Paulinho e Murilo, para os lugares de Raúl Silva e Ricardo Horta, o Braga não mais deixou o Rio Ave respirar. Antes disso, João Novais já havia rendido Palhinha e a equipa de Abel Ferreira já tinha ganho maior nervo e qualidade no miolo.

A jogar com menos um elemento, o Rio Ave canalizava jogo para o corredor esquerdo do seu ataque, onde Galeno, sempre que pôde e com grande vertigem, foi dando água pela barba a Marcelo Goiano e companhia.

Chegados aos últimos 15 minutos, o Braga mudou-se de malas e bagagens para o meio-campo vila-condense e quando aos 77 minutos, Paulinho, depois de ser muito bem servido por Wilson Eduardo, rematou com o pé direito à entrada da área para o golo do empate, pressentiu-se que este tento podia acordar o Braga das trevas. (Ver golo aqui).

A partir daqui, sem entrar em correrias loucas e sem perder a noção que uma equipa em superioridade numérica tem que saber encontrar o espaço que a falta de um jogador no rival deixa, a equipa de Abel Ferreira, tentou pelos corredores laterais e pelo central, chegar ao golo da vitória e o mesmo aconteceu por intermédio de Wilson Eduardo, aos 90+1’, a concluir com um bom remate uma insistência de João Novais pela esquerda. (Ver golo aqui).

Estava dada a cambalhota no marcador e estava exorcizado o fantasma de Vila Conde bem como estavam deixadas para trás as três derrotas e os mais de 350 minutos sem marcar golos.

Com esta vitória, muito celebrada por todos os elementos da comitiva, que explodiram num abraço envolvente dentro das quatro linhas após o golo vitorioso de Wilson, o Braga injetou nova energia para o dérbi minhoto do próximo sábado, contra o Guimarães.

Deve dizer-se também que a formação arsenalista esteve longe daquilo que já fez esta época, mas este jogo não era para jogar bonito, era para ganhar. E o Braga ganhou!

FICHA DO JOGO

ESTÁDIO: dos Arcos (Vila do Conde)

ÁRBITRO: Artur Soares Dias (AF Porto)

RIO AVE FC:

Léo Jardim, Nadjack, Messias Jr., Rúben Semedo e Fábio Coentrão; Tarantini e Jambor; Carlos Jr. (Buatu, 75’), Galeno (Matheus Reis, 89’), Bruno Moreira e Ronan David (Leandrinho, 58’);

TREINADOR: Daniel Ramos.

SC BRAGA:

Tiago Sá, Marcelo Goiano, Bruno Viana, Raúl Silva (Paulinho, 71’) e Sequeira; Palhinha (João Novais, 60’), Claudemir e Fransérgio; Wilson Eduardo, Ricardo Horta (Murillo, 71’) e Dyego Souza.

TREINADOR: Abel Ferreira.

DISCIPLINA:

AMARELOS

RIO AVE FC: Jambor, 39’ e 55’; Fábio Coentrão, 88’.

SC BRAGA: Raúl Silva, 29’; Bruno Viana, 61’; Marcelo Goiano, 78’ e Paulinho, 90+2’.

VERMELHOS: Jambor, 55’ (acumulação de amarelos).

GOLOS: (1-0) Carlos Jr, 48’; (1-1) Paulinho, 77’; (1-2) Wilson Eduardo, 91+1’.

MELHOR EM CAMPO BPF: Paulinho e Wilson Eduardo.

© Fotos: Facebook Oficial Sporting Clube de Braga 

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