I LIGA: Exibição merecia outro resultado

Publicado por em 11 Novembro, 2018

No final do encontro, jogadores agradeceram apoio massivo dos bracarenses.

No final do encontro, jogadores agradeceram apoio massivo dos bracarenses.

Num jogo rodeado de enorme expectativa, Braga e Porto não defraudaram os 50.000 que encheram as bancadas do Dragão e fizeram jus à condição de líderes do campeonato. Abel prometeu uma equipa fiel à identidade, a jogar de olhos nos olhos em casa do campeão nacional, e cumpriu. A eficácia de Soares nos instantes finais do jogo desequilibrou a contenda.

É caso para dizer que se a Liga Portuguesa de Futebol Profissional pretender criar uma espécie de portfolio para vender o que de melhor se faz em Portugal em termos de futebol, pode perfeitamente pegar no vídeo deste encontro de líderes à partida para jornada 10 da principal liga do futebol nacional.
Os quase 3 mil bracarenses que se deslocaram ao Dragão e que preencheram por completo o setor reservado aos adeptos visitantes, puderam ver materializado em campo tudo o que o timoneiro arsenalista prometera na antevisão. Abel falara num Braga fiel à sua identidade, a querer discutir a vitória em casa do FC Porto, que vinha moralizado depois de uma vitória por 4 -1 a meio da semana para a Liga dos Campeões, os azuis e brancos estão a viver nesta altura o seu melhor momento da época.
Ambos os treinadores fizeram apenas uma alteração no onze, comparativamente às partidas anteriores. Abel optou por entregar a titularidade a Ricardo Horta em detrimento de Fábio Martins, ao passo que Sérgio Conceição trocou Soares por Herrera, sendo que o avançado brasileiro haveria de ter na sua cabeça a decisão do jogo.
Um Braga a entrar personalizado conseguiu refrear o ímpeto inicial e a agressividade que o Porto de Conceição costuma colocar em campo. Os bracarenses, muito organizados no processo defensivo, conseguiam impedir as investidas atacantes do adversário e, quando recuperavam a bola, conseguiam trocá-la com qualidade. Fransérgio era o “maestro” da orquestra arsenalista e um omnipresente Claudemir carregava o piano. Poderá parecer redutor assinalar exibições individuais no Braga, quando praticamente todos os elementos estiveram em grande nível. Porém, é incontornável referir que, neste jogo, Pablo Santos e Sequeira realizaram, provavelmente, as suas melhores exibições com a camisola do Braga.
Apesar de ter sido jogada a um ritmo frenético e sempre com as equipas ligadas à corrente, os lances de maior destaque na primeira parte foram as duas chances claras de golo. A primeira equipa a estar perto de marcar foi o Braga, quando Dyego Sousa, em excelente posição, não conseguiu corresponder a um excelente cruzamento da esquerda, cabeceando ao lado.
Na resposta, Óliver Torres descobriu uma nesga de espaço na defesa bracarense, isolou Brahimi e este rematou forte para a defesa da noite. Tiago Sá voou e negou o golo ao argelino.

A segunda parte não foi diferente da primeira, com o FC Porto a imprimir muita velocidade e agressividade no jogo, mas o Braga continuava organizado e nunca deixou de responder sempre que recuperava a posse de bola.
O técnico portista foi o primeiro a mexer, pois, vendo a sua equipa com dificuldade em transpor a barreira bracarense, arriscou com as entradas de Otávio e Herrera para os lugares de Maxi e Óliver. No entanto, foi novamente o Braga a estar mais perto do golo, quando Esgaio apareceu desmarcado na direita e rematou com estrondo ao ferro.
A pressão dos dragões acentuou-se com o aproximar do apito final e Abel teve de reforçar o meio-campo, lançando Palhinha para o lugar de Paulinho. A entrada de Otávio dinamizou muito o ataque do Porto, auxiliado por Corona que recuou para lateral-direito após a saída de Maxi. Abel tentou explorar esse espaço no corredor, fazendo entrar Wilson para o lugar de Horta. No entanto, o n.º 7 bracarense esteve completamente desinspirado e não trouxe o acréscimo de qualidade à equipa que o treinador procurava. Ainda assim, foi o Braga quem esteve novamente mais perto do golo, quando Fransérgio apareceu dentro da área portista e, imitando o seu colega Esgaio, rematou também à barra.
O chavão “quem não marca arrisca-se a sofrer” encaixa como uma luva na caracterização deste jogo, pois, aos 88 minutos, num lance que terá sido precedido de uma reposição de bola irregular de Corona pela direita (o mexicano não teria os dois pés assentes no solo aquando do arremesso), Wilson Eduardo foi algo displicente na abordagem a Otávio, o brasileiro cruzou com conta, peso e medida para uma zona da área, onde Soares conseguiu sobrepor-se à marcação de Goiano e desferiu um cabeceamento letal, sem hipóteses de defesa para o jovem guardião bracarense. O golo do artilheiro portista foi festejado de forma exuberante pelo banco portista, todos os elementos invadiram o terreno de jogo, isto diz muito da importância deste jogo para o FC Porto.
Este golo foi um rude golpe para o Braga, mas a equipa bracarense, apesar de ter pouco tempo, ainda foi à procura do empate. Abel fez entrar Fábio Martins para o lugar de Goiano, o Braga ainda beneficiou de três pontapés de canto consecutivos do lado esquerdo, mas, inexplicavelmente, Wilson Eduardo cobrou os dois primeiros de forma frouxa e o terceiro com demasiada força, gorando-se assim as possibilidades do Braga poder chegar ao empate.
O resultado final premeia a eficácia do FC Porto, mas é demasiado penalizador para o SC Braga e para os muitos adeptos que foram apoiar a equipa ao Dragão. Com esta vitória, a equipa de Sérgio Conceição isola-se na liderança da Primeira Liga, mas os Guerreiros do Minho provaram que se pode contar com eles para a discussão do título esta temporada.

 

FICHA DO JOGO

PRIMEIRA LIGA, 10ª JORNADA

Local: Estádio do Dragão

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

FC Porto:

Casilas; Maxi Pereira (Otávio,63’), Felipe, Militão e Alex Telles; Danilo Pereira (c), Óliver Torres (Hernâni, 83’), Corona e Brahimi (Herrera, 72’); Marega e Soares.

Treinador: Sérgio Conceição

SC Braga:

Tiago Sá, Marcelo Goiano © (Fábio Martins, 90+1’), Bruno Viana, Pablo Santos e Sequeira; Claudemir, Fransérgio, Ricardo Esgaio e Ricardo Horta (Wilson Eduardo, 83’); Paulinho (Palhinha, 79′) e Dyego Sousa.

Treinador: Abel Ferreira

DISCIPLINA

Amarelos:

FC Porto: Soares (56’).

SC Braga: Fransérgio (40′).

GOLOS: (1-0) Soares 88’.

Melhor em Campo: Tiago Sá e Fransérgio.

© Fotos: Facebook Oficial Sporting Clube de Braga

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