CP: Quase épico…

Publicado por em 5 Novembro, 2018

Trofense 4-3 Vilaverdense

Trofense 4-3 Vilaverdense

Ainda não foi desta que o Vilaverdense voltou ao trilho das vitórias, mas esteve perto de pontuar, com um final digno de Hitchcock, nesta deslocação à Trofa, terra de um sério candidato à subida de divisão. O CD Trofense chegou a estar a vencer por 4-1, mas na reta final, o Vila, com querer, raça e alguma sorte à mistura, fez dois golos que pintaram o marcador no 4-3 final.

Sabia-se à partida que o jogo desta jornada não era o melhor para o Vilaverdense se reabilitar, pois jogava no terreno de um dos candidatos à subida de divisão, ou pelo menos, um dos fortes concorrentes aos dois lugares disponíveis de acesso ao play-off de subida. O Trofense, orientado por Helder Pereira, possui uma equipa com valores feitos e que demonstram, com a sua forma de atuar, além da qualidade, uma maturidade que conferem à equipa uma série de argumentos que lhe dão o tal estatuto de candidato. Na Trofa mora uma das melhores equipas desta Série A do Campeonato de Portugal.

Logo no arranque se percebeu que Nélito sabia da qualidade do rival e por isso, com um bloco mais baixo, o Vila entregou a iniciativa de jogo ao Trofense, que a aceitou de bom grado, pois os seus jogadores têm capacidade para ter bola e tratá-la com mestria. A primeira parte começou com os jogadores de Vila Verde a pressionarem o portador da bola e os municiadores de ataque, quase sempre, Paulo Pereira e Diogo Melo na primeira fase de construção e Elísio (bem conhecido dos vila-verdenses), Duarte Duarte e Pedro Matos, já em zonas mais subidas do terreno, que recebiam o esférico sempre com o sentido de ferirem a baliza contrária. Na frente da ataque, Bruno Moraes (esse mesmo, que chegou do Santos para o FC Porto em ), era o homem de referência atacante.

As primeiras duas situações de golo foram criadas junto da baliza defendida por Miguel Palha. Ambas tiveram como protagonista, Duarte Duarte, que nas duas vezes, rematou perto do alvo, mas não conseguiu os seus intentos. Pelo meio, o Vila tentava sacudir a pressão e Tiago Vilela, que surgiu a titular, juntamente com Nuno Pereira, apoiados por Campinhos e Pedro Pereira, tentavam criar problemas na defensiva contrária, a estes homens, juntava-se o mais esclarecido dos jogadores vestido de verde, Aldair e foi ele, aos 22 minutos, que obrigou Pedro Cavadas, guardião da equipa da casa, a fazer a defesa da tarde. Um tiro de fora da área, com o pé direito, obrigou o guarda-redes, que já passou por Braga, a fazer uma enorme intervenção.

Neste período o Vila acumulava cantos, ao todo 10, na primeira parte, seis. O domínio pertencia aos da casa, mas o Vilaverdense, sempre que podia, tentava criar perigo no reduto mais recuado dos donos do terreno.

Neste vai e vem de bola de um lado e bola do outro, à saída de um pontapé de canto a favor do Vila, a formação da casa ganhou a bola e desenhou um contra-ataque perfeito conduzido por Duarte Duarte que pelo lado direito entrou na área para endossar a bola para o golo fácil de Bruno Moraes. Estava feito o primeiro, mas os homens de Nélito reclamaram, de forma veemente, com o capitão Nené à cabeça, da legalidade do lance. No fim do jogo, Nélito afirmou que os seus jogadores lhe garantiram que havia fora de jogo descarado neste golo (e no segundo tento do Trofense), que não foi assinalado pelo monçanense Rémi Leite, um árbitro de 24 anos, que ainda terá caminho para palmilhar nas andanças do apito.

As equipas saíram para o intervalo com o resultado favorável ao CD Trofense.

No reatamento o Vila tentou crescer no jogo, mas foi o Trofense que marcou e avolumou o resultado para o 2-0, que parecia “matar” a partida.

Só que o Vila não se rendeu e foi à procura de ser feliz porque já diz o ditado, perdido por um, perdido por mil…mas há outro que diz também que quando a manta é curta (a deste Vila, para já, é demasiado curta) tapa-se a cabeça, mas destapam-se os pés e foi isso que aconteceu.

A formação de Vila Verde ainda chegou ao 2-1, num autogolo de Leandro. Este golo dava novo alento ao Vila, mas o desacerto defensivo e a qualidade dos homens da casa vieram ao de cima e de um tremido 2-1, o resultado cresceu até aos 4-1, a dez minutos do fim do jogo. E foi aqui, nestes 10 minutos finais, que o jogo ganhou a emoção que ainda não tinha tido.

Relaxado na folgada vantagem, o CD Trofense confiou que a vantagem adquirida seria suficiente, só que Campinhos, aos 87 minutos, colocou o resultado em 4-2, com um excelente remate. Tudo parecia no rumo certo para os da casa, mas eis que surgiu o terceiro golo para o Vilaverdense, numa deficiente intervenção de Pedro Cavadas, a bola sobrou para Tomás Gama, que não enjeitou a oportunidade de ser feliz e reduziu para a diferença mínima. Estava-se no minuto 90+3 e o Vila acreditou que podia levar pontos deste jogo e no último lance, num livre da esquerda, com toda a gente metida na área do Trofense, Miguel Palha, guarda-redes do Vila, incluído, o empate só não surgiu porque Pedro Araújo, solto ao segundo poste, não conseguiu emendar, à boca da baliza, uma bola que parecia que não podia fugir a esse destino. Foi por pouco que o Vila não conseguiu um final épico.

De seguida o árbitro apitou para o fim do jogo e na Trofa, os da casa, respiraram de alívio porque estiveram a um golo de se meterem em alhadas.

Este resultado não é positivo, mas a forma como o Vila foi capaz de se agigantar nos últimos minutos, pode servir de balsamo encorajador, de que este equipa tanto precisa para começar a pontuar.

FICHA DO JOGO

ESTÁDIO: CD Trofense

ÁRBITRO: Rémi Leite (AF Viana do Castelo)

 

CD TROFENSE:

Pedro Cavadas, Leandro Albano, Mika (cap.), Adilson e Chiquinho; Paulo Pereira e Diogo Melo; Elísio Esteves, Duarte Duarte, Pedro Matos e Bruno Moraes;

Treinador: Helder Pereira;

 

VILAVERDENSE FC:

Miguel Palha, Kiko, Nené (cap.), Miguel Almeida e Gabi; Pedro Araújo, Aldair e Pedro Pereira; Nuno Pereira, Campinhos e Tiago Vilela;

Treinador: Nélito;

DISCIPLINA:

Amarelos:

CD Trofense: Elísio, 36’;

Vilaverdense FC: Miguel Almeida, 26’;

Vermelhos: Nada a assinalar.

GOLOS: (1-0) Bruno Moraes, 35’; (2-0) Elísio Esteves, 56’; (2-1) Leandro Albano (ag), 62’; (3-1) João Pedro, 78’; (4-1) Duarte Duarte, 82’; (4-2) Campinhos, 87’; (4-3) Tomás Gama, 90+3’;

Melhor em campo: Aldair;

© Fotos: Vilaverdense FC

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