CP: CDC Montalegre, 2 – Vilaverdense FC, 2 – Desperdício vira castigo

Publicado por em 13 Novembro, 2017

Montalegre e Vilaverdense defrontaram-se para a 10ª jornada do campeonato de Portugal e a equipa do Vila perdeu  uma excelente oportunidade para matar o borrego nos jogos fora de portas e podia perfeitamente, com mais algum acerto, ter vencido de forma categórica este embate. No final do jogo, o empate a duas bolas, sabe a pouco, mas do mal, o menos.

A formação de António Barbosa sabia, à partida para este jogo, a importância de vencer e não sendo vital fazê-lo, era muito importante conquistar os três pontos (um candidato à subida tem que ganhar jogos fora), pois em Fafe, o Vizela, líder isolado, batia-se contra outro dos candidatos e nesta altura, por força da pontuação, começa a ser importante para o Vila olhar para aquilo que os rivais começam (ou não) a fazer .

No início do jogo surpreendeu a alteração tática promovida pelo técnico do Vila. O treinador da formação minhota abdicou do habitual 4x3x3 e, com a inclusão de Tanela e Salvador no onze inicial (por troca com Latyr e Ahmed), a equipa vila-verdense apostou num 4x4x2 que além de trazer maior acutilância na linha ofensiva (Tanela é um mouro de trabalho que anda sempre a morder os calcanhares aos rivais), permitiu à equipa ganhar robustez na zona intermédia (André Salvador é um touro que segura e transporta jogo como poucos).

É estranho ver dois jogadores da valia de Ahmed e Latyr no banco, mas o treinador do Vila apresentou um onze com a postura certa e com a ideia bem definida, não fossem cinco minutos de desnorte na segunda parte e a falta de acerto e podíamos dizer que tinha sido um alteração tática perfeita.

Logo no arranque do jogo foi notória a vontade do Vila em tomar conta das operações e num lançamento para as costas da defensiva contrária, Zé Pedro fugiu a Morais e Álvaro Branco e quando entrou na área, Rodrigão, guarda-redes da equipa da casa, abalroou o ponta-de-lança do conjunto forasteiro e o árbitro da partida, o Sr. João Sousa, não teve dúvidas e assinalou para a marca dos onze metros. Estava-se no terceiro minuto de jogo e sem ter feito muito para tal, o Vila tinha, nos pés de Rafa Miranda (Latyr que é o homem que habitualmente bate os penaltis estava no banco), soberana ocasião para começar o jogo da melhor forma. O número 20 do Vilaverdense, depois de ver Zé Pedro recuperar do embate com o guarda-redes da equipa da casa, arrancou confiante para a bola e colocou a mesma a beijar a malha lateral esquerda da baliza do Montalegre e assim, bem cedo no jogo, o ativo mexia pela primeira vez com o Vila a chegar-se à frente no marcador.

Após este golo madrugador, a equipa da casa esboçou uma pequena reação ao ganhar 2 cantos seguidos, num deles, Álvaro Branco (autor de excelente exibição), obrigou Pedro Freitas a sacudir, atento, um cruzamento-remate que se encaminhava para o fundo das redes, parecia o toque de resposta da equipa da casa, só que a partir daqui e até ao minuto 30, emergiu na partida, Rodrigão, autor de uma exibição soberba que permitiu à sua equipa chegar ao intervalo a perder pela diferença mínima e, seguramente, o guarda-redes da equipa de Trás-os-Montes, vai provocar em Zé Pedro alguns pesadelos.

No espaço de 20 minutos, o Vila, sempre por intermédio do referido avançado, viu o último obstáculo do Montalegre negar três ocasiões soberanas com defesas soberbas. Na primeira, Zé Pedro rematou cruzado na direita, já dentro da área, com Rodrigão a sacudir a bola como pôde; na segunda, o número 89 do Vila, isolado, depois de ganhar novamente as costas da defesa contrária, permitiu que o guarda-redes da equipa da casa desviasse a bola com os pés após remate forte mas sem colocação; na terceira, o avançado natural de Ponte de Lima que alinha pelos minhotos, em zona frontal dentro da área, cabeceou para a terceira grande intervenção de Rodrigão, que desviou a bola para o poste esquerdo da sua baliza.

O Vila, nesta altura, era a única equipa que existia no jogo e o Montalegre estava seguro pelas mãos do seu guarda-redes, porém, tanta bola falhada, fazia lembrar um velho chavão do futebol: quem não marca, arrisca-se a sofrer.

O intervalo chegaria com esta curta vantagem para os visitantes, um resultado lisonjeiro para o Montalegre, que na primeira parte, tirando o lance de Álvaro Branco, não conseguiu criar situações de real perigo junto da baliza de Pedro Freitas, que nesta altura (tal como sucedera após o lance aos 10 minutos) dava mostras de estar a contas com problemas musculares, pois era notório o desconforto do guarda-redes cada vez que batia a bola ou tinha de correr.

Na segunda parte, a toada inicial dava a entender que o Vila estava a querer manter a postura da primeira metade do jogo e aos 50 minutos, altura na qual Pedro Freitas fez sinal que não dava para aguentar mais e para o seu lugar entrou Bruno Martins, André Salvador, na baliza contrária, com um remate de livre a uns 30 metros da baliza do Montalegre, com a bola descaída para a esquerda, obrigou Rodrigão a nova excelente intervenção. O festival do guarda-redes da equipa da casa continuava por esta altura.

A seguir a este lance, o jogo entrou numa fase mais morna, o Vila a tentar gerir o encontro longe da sua área e o Montalegre a tentar criar situações de perigo, mas dava sempre a ideia que a equipa de António Barbosa tinha as operações controladas. Chegou então a hora dos treinadores intervirem na partida e José Manuel Viage, técnico do Montalegre, ao minuto 65, fez a sua primeira mexida e deu ordem de entrada ao extremo Aliú Cassamá. Para a entrada deste homem de características mais ofensivas, saiu de campo Morais, um central, notava-se algum risco do técnico da equipa da casa e os frutos desta mexida surgiram passados cinco minutos. Num lance rápido e com alguma sorte à mistura, o capitão da equipa da casa, Gabi (talvez o elemento mais esclarecido do Montalegre), fugiu a um contrário e descaído para a esquerda atirou rasteiro para o poste mais distante, Bruno Martins tirou a bola da direção da baliza com a mão esquerda, enviando o esférico para a linha de fundo. Na sequência do canto, batido por Álvaro Branco na direita do ataque, a bola ganhou o caminho da baliza, sobrevoou a defensiva do Vila, passou por Bruno Martins que não conseguiu desviá-la e Paulo Roberto, ao segundo poste, confirmou aquilo que já se festejava no estádio, o golo do empate.

Este tento mexeu com a equipa do Vilaverdense que se desorientou e passados cinco minutos, sem que nada o fizesse prever, Iuri Gomes, jogador que na época passada jogou em Vila Verde e que neste jogo, ao contrário daquilo que é habitual esta temporada, fez parte das escolhas iniciais de José Manuel Viage, ganhou uma bola na direita do ataque e já dentro da área, sem grande oposição rematou à baliza, a bola bateu no poste e veio novamente ter com Iuri que fez uma espécie de traição à sua anterior equipa ao enviar o esférico para o fundo das redes. Aos 75 minutos, estava dada a cambalhota no marcador e assistia-se a o uma ode à eficácia por parte dos donos da casa: 3 oportunidades, 2 golos.

Perante esta situação, António Barbosa, que já tinha lançado Joel Silva no jogo (entrou após o empate), fez também entrar Ahmed e o Vila lançou-se na procura de minorar o resultado, podia tê-lo feito por Pedro Lemos, que a esta hora ainda deve estar a pensar como foi possível, já dentro da pequena área, descaído para a direita, não acertar na baliza, mas o melhor estava reservado para o fim, Tanela, já depois do minuto 90, ganhou uma falta em cima da linha da grande área do lado direito e André Soares fez aquilo que só os craques e os predestinados fazem, com o pé esquerdo, rematou a bola ao ângulo superior direito da baliza de Rodrigão que bem se esticou mas nada podia fazer. Estava feito o empate. Depois do que se tinha assistido, um mal menor. O Vila ainda tentou ir novamente para o ataque, mas depois depois de um fora-de-jogo tirado a Paulo Roberto, que gerou alguma ira na equipa e adeptos da casa, que o árbitro deu por terminado o jogo.

Neste jogo o Vilaverdense só pode queixar-se da falta de eficácia. Na primeira parte, formação de António Barbosa que mexeu (e bem) na estrutura e no onze, foi demasiado perdulário e pagou isso da forma mais cruel, no fim do jogo a arte de André Soares, fez o Vila empatar. Um resultado que não é o mais justo mas o Vila só se pode queixar de si mesmo.

Local: Estádio Dr. Diogo Alves Vaz Pereira

Árbitro: João Sousa (AF Bragança)

CDC Montalegre:

Rodrigão, Yann, Morais (Aliu Cassamá, 65′), Álvaro Branco e Fábio; João Fernandes, Tavares e Gabi (cap.) (Bruno Barreto, 81′); Prince (Digas, 85′), Iuri e Paulo Roberto.

Treinador: José Manuel Viaje.

Vilaverdense FC:

Pedro Freitas (Bruno Martins, 50′), Pedro Lemos, Nené (cap.), Rafael Vieira e João Carneiro; Ibraima, André Salvador (Ahmed, 83′), André Soares e Rafa Miranda; Tanela e Zé Pedro (Joel Silva, 73′).

Treinador: António Barbosa.

Disciplina:

Amarelos:

CDC Montalegre: Gabi (79′) e Paulo Roberto (82′);

Vilaverdense FC: Tanela (64’);

Vermelhos:

Nada a registar.

Golos: (0-1) Rafa Miranda, 5’; (1-1) Paulo Roberto, 70′; (2-1) Iuri, 75′; (2-2) André Soares, 90+3′.

Prémio Melhor em Campo VFC / Bola P’ra Frente: André Soares

© Fotos: Salomé Pessoa

SALA DE IMPRENSA:

António Barbosa (Vilaverdense FC)

José Manuel Viage (CDC Montalegre)

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