Contra os milhões marcar, marcar.

Publicado por em 29 Setembro, 2017

É um arranque sensacional nas provas da UEFA: seis jogos, cinco vitórias e um empate. Os bracarenses, a par com o Sporting, são os que mais pontuaram até ao momento para o ranking: 7,5 pontos. 

Para além dos seis pontos amealhados em duas jornadas da fase grupos, que nesta altura colocam o Braga na liderança do grupo C, e mais algumas centenas de milhares de euros amealhados. É um saldo extremamente positivo em termos de participação na fase de grupos. Depois das dificuldades sentidas nas pré-eliminatórias e de um sorteio pouco “amigo”, a verdade é que o Braga conseguiu superar-se aos adversários mais cotados no grupo. Abel apontou o objectivo para os 10 pontos, que seguramente serão suficientes para o apuramento. Nesta altura ficam a faltar apenas quatro e o Braga tem possibilidade de os amealhar nas próximas duas jornadas, nesse duplo confronto diante dos búlgaros do Ludogorets. O campeão búlgaro, contra todas as expectativas, está no 2.º lugar do grupo a apenas dois pontos do líder Braga.
O jogo da noite de quinta-feira, na Pedreira, foi mais emotivo do que bonito, não obstante alguns momentos de futebol de grande primor, porque ambas as formações têm qualidade em abundância, quer colectivamente, quer individualmente. Conscientes disso, ambos os treinadores adoptaram estratégias de muito rigor tático, aspeto que obviamente retirou brilhantismo à partida. Foi das poucas vezes, nesta temporada, em que se viu o Braga a não querer assumir claramente as rédeas do jogo. Ao invés, a equipa bracarense preferiu o equilíbrio defensivo, espaços bem ocupados, chamar o adversário e tentar sair em transição, procurando tirar partida de alguma “dureza de rins” de alguns jogadores do Istambul Basaksehir. Esta equipa turca, recheada de jogadores com dezenas de internacionalizações, tem uma média de idades a rondar os 30 anos. Essa experiência veio ao de cima logo após os minutos iniciais, em que o Braga imprimiu um ritmo mais intenso. Depois do décimo minuto, os turcos com o jogo pautado pelo capitão Emre, trocavam a bola com grande qualidade, jogando sempre pela certa e raramente errando passes. Mossoró, apesar de não ter a frescura física dos tempos em que atuou na Pedreira, preserva a mesma qualidade futebolística, o mesmo “perfume” com a bola nos pés. No seu estilo de deambulação, estava em sempre em jogo no momento ofensivo da sua equipa. Aos 80 minutos saiu esgotado, mas presenteado por uma calorosa e merecida ovação dos adeptos do Braga, que até cantaram o “ninguém para o Mossoró…”
Aos 20 minutos, Abel Ferreira viu-se forçado a mexer no onze e na estrutura, devido a lesão do lateral esquerdo Sequeira. Para o lugar do jogador ex-Nacional da Madeira entrou Xadas, transferindo Goiano da direita para a esquerda da defesa e fazendo Esgaio recuar no corredor direito.
O minuto 26′ foi um oásis no deserto. João Carlos Teixeira arriscou num movimento interior, ultrapassou adversários e fez um passe de letra para Hassan, que recebeu com qualidade e desviou para o fundo das redes. Sem estar a dominar o jogo, o Braga chegava à vantagem, premiado pela eficácia do egípcio e pelo audácia de JCT.
Mas a alegria dos bracarenses durou pouco, porque praticamente na jogada seguinte, aos 28′, uma falta imprudente de Danilo proporcionou aos turcos um livre em excelente posição. Emre cobrou de forma exímia, levando a bola ao ângulo superior direito da baliza bracarense, sem qualquer hipótese de defesa para Matheus.
O resultado ao intervalo ajustava-se aquilo que ambas as formações haviam produzido.

A segunda parte jogou-se na mesma toada. O Istambul Baseksehir com mais posse de bola, mas pouco incisivo nas ações ofensivas, atacando sem correr riscos. O Braga mantinha-se bem organizado, preocupado em não dar espaços ao adversário e agressivo q.b. na recuperação de bolas. No entanto, as jogadas de contra-ataque do Braganão resultavam, já que os seus jogadores mostravam pouco critério e pouca paciência na construção das jogadas e as iniciativas ficavam goradas. A partir do meio da segunda parte, alguns elementos começavam a apresentar evidentes sinais de desgaste físico, particularmente: Paulinho, JCT e Danilo. Abel Ferreira percebeu isso, mas tinha um dilema, pois, apesar de ter opções no banco, já tinha gasto uma das substituições. Assim, o técnico bracarense optou pelos elementos da linha média, sacrificando Paulinho até ao apito final. Ricardo Horta entrou para o lugar de JCT e, apesar de discreto no ataque, o extremo trouxe intensidade ao jogo e capacidade tática. Mas a chave de decisão do jogo haveria de ser a entrada de Fransérgio para o lugar de Danilo. O centrocampista ex-Marítimo trouxe o critério no passe que estava a faltar e a sua frescura física permitiu-lhe ser um “todo-o-terreno” na linha média, naquela fase decisiva do jogo. O Braga ganhou novo fôlego no jogo e isso empolgou os adeptos que “acordaram” nos instantes finais. Esse esforço final coletivo haveria de ser recompensado ao minuto 89′, quando Raúl Silva de aventurou por terrenos adiantados, cruzou com o pé esquerdo para a grande área, onde Fransérgio apareceu a cabecear para o golo, à ponta de lança.

Foi mais uma grande noite europeia de futebol na Pedreira, com um Braga mais de transpiração do que de inspiração, mas para história fica mais um triunfo sobre uma equipa turca e seis pontos amealhados nos primeiros dois jogos, tal como aconteceu na temporada 2015/16, quando a equipa bracarense chegou longe na prova.

 

Ficha de Jogo:

Local: Estádio Municipal de Braga;

Árbitro: Matej Jug (Eslovénia)

SC Braga:

Matheus; Goiano (cap.), Ricardo Ferreira, Raúl Silva e Sequeira (Xadas, 20′); Esgaio, Danilo (Fransérgio, 71′), Vukcevic e João Carlos Teixeira (Ricardo Horta, 79′); Hassan e Paulinho.

Treinador: Abel Ferreira;

Istambul Baseksehir:

Volkan; Júnior Caiçara, Manuel da Costa (Attamah, 46′), Epureanu e Clichy; Emre Belözoğlu (cap.) e Inler; Visca, Mossoró (Tekdemir, 81′) e Elia; Mevlut (Batdal, 74′).

Treinador: Abdullah Avcı

Disciplina:
Cartões Amarelos:
SC Braga: Goiano, 24’; Raul Silva, 27’
Istambul Baseksehir: Manuel da Costa, 32’
Cartões Vermelhos:
Nada a assinalar

Golos: (1-0) Hassan, 26’; (1-1) Emre Belözoğlu, 28’; (1-2) Fransérgio, 89’.
Prémio Melhor em Campo SCB / Bola P’ra Frente: Hassan

© Fotos: Página Oficial SC Braga

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