I LIGA: Dérbi a ferver

Publicado por em 27 Outubro, 2018

Claudemir festeja, com os colegas, o golo do empate do SC Braga

Claudemir festeja, com os colegas, o golo do empate do SC Braga

No escaldante dérbi do Minho, um golo para cada equipa (Alexandre Guedes para os da casa e Claudemir para os visitantes) definiu o resultado final de uma partida intensa, bem jogada e com os ingredientes necessários que se querem para um dérbi. As notas negativas vão para entrada, inexplicavelmente tarde, dos adeptos do SC Braga no estádio, para o apedrejamento do autocarro que transportava a equipa do SC Braga e o apedrejamento à viatura em que seguia António

Salvador.

Lamentavelmente, há que começar por dizer que, infelizmente, nem todos assistiram a tudo desde o inicio, porque o futebol português ainda vive na idade média e só assim se percebe que apenas aos 30 minutos de jogo, tenha sido possível aos mais de 1500 adeptos do Guerreiros do Minho, chegar ao interior estádio D. Afonso Henriques. A culpa do sucedido, doa a quem doer, não pode morrer solteira. Apurem-se as mesmas, punam-se os responsáveis, porque o sucedido foi degradante e deve fazer corar de vergonha os promotores do espetáculo e as forças de segurança.

O que aconteceu em Guimarães não se coaduna com povos que se dizem civilizados, mas sim com gente primitiva, sem noção do que é um verdadeiro espetáculo nem quais as reais consequências que atos levianos possam provocar. Sabemos que por vezes os adeptos se deixam levar pelo calor dos acontecimentos e da rivalidade, mas espera-se que os responsáveis, sejam eles de que área forem, saibam, de forma lúcida, e sem se demitirem das suas responsabilidades, agir com a cabeça e não com o coração. É o mínimo exigível! Por fim uma nota de realce para o superior comportamento de toda a estrutura e dos adeptos do SC Braga. Exemplares. E lamenta-se ainda, o apedrejamento ao autocarro do SC Braga e à viatura do presidente, António Salvador. Demasiadas situações graves e inúmeras falhas de segurança e coordenação, para um jogo só.

Vamos ao jogo.

A noite convidava para um bom jogo, o tapete verde de relva estava imaculado e tanto Vit. de Guimarães como SC Braga, cientes da importância deste confronto, proporcionaram a todos, um excelente espetáculo. Valeu a pena!

Sem mudanças de última hora nos onzes que se projetavam para o jogo, Luís Castro e Abel Ferreira, fiéis aquilo que tem sido a sua postura, mandaram as tropas para a batalha com o escudo levantado e as espadas ao alto. Estão de parabéns os dois treinadores (que até se dão bem e de forma cordial) porque souberam, também eles, fazer a sua parte para que este dérbi fosse, na verdade, um grande jogo.

O SC Braga surgiu em Guimarães para o jogo grande desta jornada na primeira posição do campeonato (em igualdade pontual com o Benfica) e durante todo o jogo, mostrou ao Vit. Guimarães, o porquê de estar naquela posição. Um Braga que apenas se sentiu pressionado nos primeiros minutos, mas que rapidamente, fruto da sua qualidade e maturidade, foi capaz de anular os lampejos vimaranenses. E a primeira grande oportunidade de golo até sorriu para os Gverreiros do Minho, mas Ricardo Horta, bem servido da direita após canto batido por João Novais, não conseguiu, nas costas de André André, emendar de cabeça ao primeiro poste e perdeu-se uma soberana ocasião.

Os minutos iniciais de jogo foram frenéticos, nesta altura, arroupados pelas suas gentes, os donos da casa tentaram intimidar o Braga e foram dando a ideia de um domínio das operações que se concretizou na boa cabeçada de Alexandre Guedes, à passagem dos 13 minutos, após boa jogada de Davidson na esquerda. Desta forma estava feito o primeiro golo deste dérbi e os donos do terreno, que há três temporadas não marcavam golos em casa ao eterno rival, quebravam o enguiço e colocavam-se em vantagem. Por pouco tempo, quase tão pouco que nem deu para saborear.

A maturidade de uma equipa nota-se pela forma como encaixa os golpes e os supera, foi isso que o SC Braga demonstrou nesta partida. Quando se podia pensar que o golo dos donos do terreno galvanizasse a equipa para um jogo tranquilo, o SC Braga mostrou porque é melhor equipa do que o Vit. de Guimarães, começou a crescer no jogo e passados quatro minutos, por intermédio de Claudemir (que se estreou a marcar com as cores braguistas) chegou ao empate que foi festejado, apenas, pelos poucos adeptos arsenalistas que por esta altura, infelizmente, se encontravam nas bancadas.

Novo canto na direita do ataque, João Novais recebeu um toque curto de Wilson e cruzou para a área, Alexandre Guedes ainda viu a bola deslizar pelo seu braço e depois de alguma confusão, Claudemir solto de marcação, fazia o último golo, válido, deste jogo.

Daqui em diante foi do SC Braga a iniciativa, foi a formação dos Gverreiros do Minho que impôs o ritmo de jogo e pautou a partida. Como fazem os melhores.

Até ao intervalo, Braga a dominar e os da casa a correr atrás da bola.

No recomeço, a toada manteve-se. Mais Braga no jogo, e mais expectativa nos homens do Guimarães. Nestes segundos quarenta e cinco minutos, a primeira oportunidade de golo foi do Vit. de Guimarães, que Bruno Viana, quase em cima de linha limpou, quando Davidson se preparava para festejar.

Com a classe habitual, o SC Braga voltou a tomar conta do jogo e respondeu por Wilson Eduardo, num tiro que saiu por cima.

Nos bancos os treinadores começaram a fazer as primeiras movimentações para encontrarem soluções para vencer. E ainda antes de algum deles mexer, Dyego Souza quase bateu Douglas numa cabeçada que saiu perto da baliza do guardião vimaranense. A bola foi servida por Ricardo Horta no lado esquerdo do ataque. O jogo estava mais frenético, com menos contenção de ordem tática e com os adeptos, agora já todos dentro do estádio, a fazerem a festa. E os que viajaram de Braga, chegaram tarde, mas foram com vontade.

Por esta altura ninguém sabia da equipa da casa, não fosse uma jogada pela direita de Sacko, que Guedes, sem classe, não conseguiu emendar quando parecia que o mais fácil era fazer golo.

Com as mexidas feitas, Abel Ferreira deu à equipa um sinal de querer ganhar o jogo, retirou do terreno Wilson Eduardo (muito apagado) e lançou Paulinho para reforçar a frente de ataque e poucos minutos depois, tirou João Novais (em noite não) e fez entrar Fransérgio, que deu maior consistência ao bloco médio e maior largura no terreno.

Luís Castro, sem as mesmas soluções, quando mexeu, a equipa piorou, não por culpa do treinador, mas a verdade é que no banco, as soluções que existiam eram bem inferiores aos homens lançados pelo técnico no onze titular.

Eis então quando surge o caso do jogo, que o árbitro, embora inicialmente tenha assinalado uma falta de Dyego Souza, a expensas do VAR, emendou, bem, e ajuizou fora de jogo, uma cabeçada que suporia o segundo golo dos Gverreiros do Minho. Uma jogada de insistência de Ricardo Esgaio permitiu ao homem do Braga ganhar a bola na linha de fundo e endossá-la para Fransérgio, este cruzou para a confusão, Paulinho raspou com a cabeça na bola e Dyego faturou, mas estava em posição irregular.

Até ao fim, o sufoco do Braga foi enorme, o que levou Luís Castro a admitir que foram os adeptos que devolveram o Vit. de Guimarães ao jogo. Neste período, após o tento anulado, o Braga ainda teve mais duas boas chances: uma cabeçada de Dyego Souza que saiu por cima e um remate, mesmo no último minuto, que Fábio Martins desperdiçou com um foguete para as nuvens quando se esperava (e exigia) melhor. E após este lance, fechou-se o pano do dérbi do Minho por excelência.

A existir um vencedor, esse teria que ser o SC Braga, pelo que jogou e pelo que fez, o empate, até pela forma como foi festejado, soube melhor aos donos do terreno, que há três épocas não pontuavam, em casa, contra o rival minhoto.

Para a história fica um bom jogo, que merecia uma organização bem mais cuidada, num dérbi que ferveu dentro e fora das quatro linhas.

O SC Braga, com este resultado pode perder a liderança, mas ficou bem patente, neste jogo, que no Minho, quem manda nesta altura, são os Gverreiros!

FICHA DO JOGO

PRIMEIRA LIGA, 8ª JORNADA

Estádio: D. Afonso Henriques

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Vitória SC:

Douglas; Sacko, Pedro Henrique (c), Osório e Rafa Soares; Wakaso, André André e Tozé (Pêpê, 90′); Boyd (Rincón, 76′), Davidson e Alexandre Guedes (Estupiñán, 72′).

Treinador: Luís Castro

SC Braga:

Tiago Sá, Marcelo Goiano (c), Bruno Viana, Pablo Santos e Sequeira; Claudemir, João Novais (Fransérgio, 65′), Ricardo Esgaio e Ricardo Horta (Fábio Martins, 89’); Wilson Eduardo (Paulinho, 72′) e Dyego Sousa.

Treinador: Abel Ferreira

 

DISCIPLINA

Amarelos:

Vitória SC: Tozé (51’).

SC Braga: Pablo Santos (31’), Marcelo Goiano (83’).

 

GOLOS: (1-0) Alexandre Guedes (14’); (1-1) Claudemir (18′).

Melhor em Campo: Claudemir.

© Fotos: Facebook Oficial Sporting Clube de Braga

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